
O pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), afirmou que pretende buscar uma parceria com Israel e com o Mossad, o serviço de inteligência israelense, caso seja eleito.
A declaração foi dada durante entrevista à revista Veja, na qual o ex-governador defendeu a cooperação internacional como forma de fortalecer o combate às facções criminosas que atuam no estado.
Segundo Ciro, a experiência israelense em inteligência e contraterrorismo poderia servir de referência para enfrentar a escalada da violência no Ceará. “Vou procurar Israel… mandei gente treinar lá. E me dei muito bem”, afirmou o ex-ministro, sustentando que a gravidade da situação exige medidas consideradas fora do padrão.
O Ceará convive há anos com disputas entre organizações criminosas, aumento da violência e ataques coordenados contra equipamentos públicos. Pesquisa Datafolha divulgada em março aponta Ciro na liderança da corrida eleitoral, com 47% das intenções de voto, à frente do governador Elmano de Freitas (PT), que aparece com 32%.

Criado em 1949, o Mossad é a agência de inteligência externa de Israel, responsável por operações de espionagem, contraterrorismo, contrainteligência e coleta de informações estratégicas. Sua atuação, porém, está voltada principalmente à segurança nacional e a operações internacionais, funções bastante distintas das atribuições das polícias estaduais brasileiras.
O combate às facções criminosas no Brasil depende sobretudo da integração entre as forças policiais, do fortalecimento da inteligência financeira, do controle do sistema prisional, do combate ao tráfico de armas e drogas e de investimentos permanentes em prevenção da violência. Além disso, eventuais acordos formais com órgãos estrangeiros dependem do governo federal, por envolverem relações internacionais.
Nos últimos meses, Ciro intensificou a aproximação com bolsonaristas e lideranças evangélicas, ampliando as críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e adotando pautas que dialogam com parcelas do eleitorado de direita.
A proposta surge em meio ao aumento das críticas internacionais ao governo israelense pelo genocidio na Faixa de Gaza. O Tribunal Penal Internacional (TPI) conduz investigações relacionadas a crimes de guerra cometidos durante o conflito.
Organizações de defesa da liberdade de imprensa também denunciam o elevado número de jornalistas mortos no conflito. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) contabiliza mais de 210 profissionais da imprensa mortos desde outubro de 2023.