Ciro honra a tradição de cretinice dos Gomes. Por Carlos Fernandes

Existe uma particular cretinice no homem que tripudia da injustiça e do sofrimento que outro sofre.

E esse parece ser especialmente o caso de Ciro Gomes, que em plena Bienal da UNE, julgou por bem xingar os estudantes de “babacas” ao temporizar a “reveladora” frase do outro Gomes, o Cid.

Que Lula está preso, é algo que não se precisa ser um aguçado observador dos trâmites judiciais para findar constatado. O que denota esse fato, no entanto, vai muito além de sua simples privação de liberdade.

Fruto de um processo internacionalmente ridicularizado, a prisão de Lula desnuda o escandaloso viés partidário de todo o nosso sistema judicial.

Coalhado de juízes e promotores que se despudoraram em manifestações públicas de preconceito e rancor contra o maior líder popular da América Latina e seu partido, Lula preso atesta muito mais sua inocência do que qualquer eventual culpa que lhe possa ser atribuído.

Isso, por si só, já seria motivo mais do que razoável para que jamais alguém imputasse sua atual condição como forma de diminuir-lhe o seu impressionante poder de liderança e luta no combate às gritantes desigualdades sociais desse país.

Por isso mesmo, já seria inacreditavelmente destemperada a atitude de Cid Gomes, num evento do Partido dos Trabalhadores, de esbravejar a plenos pulmões como sendo um demérito de Lula, algo que na verdade é demérito da justiça.

Que Ciro repita essa ofensa – porque é realmente uma ofensa – um dia após essa mesma justiça elitista reafirmar a sua perseguição ao ex-presidente, confere a si próprio, a exemplo dos seus, um caráter cínico e covarde de quem se corrói por dentro por, mesmo livre, não possuir um décimo do prestígio de alguém que se encontra há mais de 300 dias sequestrado e enclausurado nas masmorras inquisitórias de Curitiba.

Chega a ser impressionante que Ciro não consiga perceber que esses arroubos de intolerância e prepotência tão típicos dos velhos coronéis do Nordeste, só o apequena frente aos setores mais democráticos e progressistas do Brasil.

Insistir nesses atos, por outro lado, talvez não seja fruto simplesmente de pura ignorância, mas, pelo contrário, de ato contínuo de reafirmação de suas origens absolutistas dos tempos em que os Gomes se refestelavam nas benesses da ditadura militar.

Seja como for, de uma forma ou de outra, gritar para um público de estudantes reunidos pelo sentimento de dever para com a democracia e a justiça social que “Lula está preso, seus babacas”, ecoa a deslavada satisfação de gente como Flávio Bolsonaro que repetiu a mesma coisa ontem (6) no Senado Federal.

Ciro, deliberadamente, honra a tradição dos Gomes. O que ele não honra, definitivamente, é o espírito de justiça que a todos nós deveria guiar.

Lula está preso, sim, todos nós sabemos. Aproveitar-se disso, porém, é puro mau caratismo. Afinal, Aécio Neves está livre, seu babaca.

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