Ciro, Marina e a arte de usar o ódio para criticar o ódio que o PT, segundo eles, dissemina. Por Kiko Nogueira

Fofos

O debate sonolento da Record no domingo, dia 30, teve como estrela, mais uma vez, o cabo Daciolo com suas pregações delirantes.

Se perdeu espontaneidade, Daciolo adquiriu maturidade em sua pilantragem e dispara seus torpedos com consciência, como uma espécie de Fernanda Montenegro da psicodelia política.

Fernando Haddad, aparentemente cansado, teve um desempenho murcho, desenxabido.

Passou duas horas olhando para um ponto abaixo da câmera, sem que um mísero assistente o avisasse, nos intervalos, do que estava fazendo.

Consolidou-se, ali, uma dupla que promete nesta reta final do primeiro turno: Marina Silva e Ciro Gomes.

Marina dá suas últimas cacetadas antes de empacotar. Ciro, estacionados nas pesquisas, tenta morder votos de Haddad partindo para cima do petista.

Ambos repetem a conversa mole da mídia, cujo grande profeta é Merval Pereira, sobre a necessidade de impedir a polarização de extrema direita de Bolsonaro e a de extrema esquerda do PT.

Parecem os dançarinos de “A Noite dos Desesperados”, romando de Horace McCoy passado na Depressão americana que virou um belo filme com Jane Fonda (o título original é “They shoot horses, don’t they?”)

Marina e Ciro usam de muito ódio para denunciar o ódio do PT. É uma sessão de descarrego ao vivo.

“Nós temos que enfrentar dois projetos autoritários. Aqueles saudosistas da ditadura e aqueles que fraudaram a eleição de 2014”, diz ela, repetindo a acusação de Aécio para, em seguida, criticar Bolsonaro por falar de risco de fraude em 2018.

“O projeto Bolsonaro foi chocado no ninho do PT e do PSDB”, falou.

O país “não precisa ficar entre a espada da corrupção [do PT] e a cruz do autoritarismo do Bolsonaro”.

“Pretendo ajudar o Brasil a caminhar para além dos personalismos, das adorações a belzebus e a ídolos”, acrescentou Ciro.

Ele ainda acusou Haddad de mentiroso ao mencionar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, ideia exposta no programa petista.

“Você não acredita numa única palavra do que acabou de dizer. Não existe poder constituinte no presidente da República”, detonou Ciro.

“Essas palavras foram postas na sua boca porque, infelizmente, há uma vingança que você está encarregado de fazer”.

Haddad, apontou Ciro, estava repetindo o general Mourão.

O vice de Bolsonaro, como se sabe, sugeriu um “conselho de notáveis” para fazer uma Constituição “sem povo”. 

Uma coisa não tem a ver com a outra, mas Ciro não ia deixar escapar mais uma chance de faturar um pixuleco aproximando virtualmente extremos. 

Marina e Ciro caminham para um final de campanha distribuindo porrada em nome do amor e da conciliação pátrios.

Os “profissionais da violência”, como gosta Mourão, agradecem.

 

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