Ciro Nogueira despreza Flávio Bolsonaro e articula pacto com Lula para 2026

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 16:15
O presidente do PP, Ciro Nogueira. Foto: Divulgação

O presidente do PP, Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, foi recebido pelo presidente Lula na antevéspera do Natal. O encontro ocorreu na Granja do Torto, em 23 de dezembro, a pedido do senador, e contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta.

Descrita como cordial por participantes, a conversa não entrou na agenda oficial do Palácio do Planalto. Segundo relatos, a reunião teve como objetivo reaproximar ele de Lula, em uma articulação patrocinada por Motta, num contexto de negociações eleitorais no Piauí.

De acordo com interlocutores dos dois lados, o senador buscou um entendimento para viabilizar sua reeleição em 2026. O desenho discutido prevê que o petista apoie abertamente apenas um nome ao Senado no estado, o senador Marcelo Castro (MDB), o que abriria espaço para a recondução de Nogueira, já que duas vagas estarão em disputa.

Aliados do presidente do PP afirmam que a contrapartida oferecida seria a neutralidade do partido na eleição presidencial. Pelo arranjo, o PP não se comprometeria formalmente com o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, adversário direto de Lula.

A negociação ocorre em meio à criação da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, que promete se tornar a maior bancada da Câmara. Ciro Nogueira é um dos principais articuladores do bloco, ainda pendente de reconhecimento definitivo pelo TSE.

Ciro Nogueira ao lado do presidente Lula. Foto: Divulgação

Relatos indicam que o encontro também serviu para reduzir tensões pessoais. Ao comentar a articulação, um aliado de Lula disse que o presidente “gosta de Nogueira”. Durante a conversa, o senador ressaltou sua proximidade com Hugo Motta, a quem se referiu como “uma espécie de filho”.

Ciro destacou ainda que manteve lealdade a Bolsonaro até o fim, mas lembrou ter sido um dos primeiros aliados a reconhecer a vitória de Lula em 2022. Esse ponto foi interpretado como um sinal de confiabilidade em caso de novo mandato.

O movimento, porém, enfrenta resistência no PT do Piauí. O governador Rafael Fonteles (PT) e o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento Social) não teriam sido informados. O presidente estadual do partido, Fábio Novo, afirmou desconhecer o encontro e advertiu: “Não temos o direito de errar uma terceira vez”.

Mesmo assim, aliados reconhecem que Nogueira mantém influência entre prefeitos do estado, inclusive petistas. O Piauí deu 76,8% dos votos válidos a Lula em 2022, o que torna o apoio do Planalto decisivo. Ainda assim, a reaproximação com o senador bolsonarista tende a gerar desgaste interno e no eleitorado de direita.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.