Ciro Nogueira manteve grupo de WhatsApp com investigados na máfia dos combustíveis

Atualizado em 2 de abril de 2026 às 6:17
Os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa ao lado do Senador Ciro Nogueira (PP-PI). Foto: Reprodução Piauí

Mensagens obtidas na Operação Carbono Oculto indicam que o senador Ciro Nogueira participou de um grupo de WhatsApp com empresários denunciados por envolvimento em fraudes no setor de combustíveis. O material foi acessado após a quebra de sigilo telemático de Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, investigados por adulteração de combustíveis, fraude em vendas, ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. As informações são da Piauí.

O grupo, identificado como “Ciro Vitor Haran Danilo”, reunia o senador, os dois empresários e Victor Linhares de Paiva, conhecido como Vitinho, ex-assessor de Ciro e também denunciado pelo Ministério Público do Piauí. As conversas eram feitas com mensagens temporárias, mas capturas de tela armazenadas por um dos participantes permitiram o acesso parcial ao conteúdo pelos investigadores.

Em uma das mensagens, enviada em novembro de 2023, Ciro convidou os integrantes para um encontro em sua residência em Teresina. No período, Haran e Danillo negociavam a venda de parte da rede de postos HD para empresários ligados à distribuidora Copape. Em dezembro, mensagens indicam tratativas sobre o avanço do negócio, com resposta direta do senador a uma atualização enviada no grupo.

Print de uma conversa de Ciro Haran com Ciro Nogueira. Fonte: Revista Piauí

Os registros também mostram novas interações no início de 2024. Em janeiro, Ciro sugeriu um encontro em um hotel, e os demais participantes confirmaram presença. Conversas obtidas pela polícia indicam que reuniões presenciais ocorreram, embora não haja confirmação oficial de todos os encontros mencionados nos diálogos.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações envolvendo empresas ligadas ao senador e ao grupo investigado. Entre os registros, constam transferências financeiras consideradas sem justificativa econômica clara, incluindo repasses entre empresas vinculadas ao esquema e uma empresa de Ciro. Parte dessas operações envolveu uma instituição de pagamento citada na investigação como possível instrumento de movimentação de recursos.

O senador não é investigado na operação. Em nota, sua assessoria afirmou que ele não possui envolvimento com ações ilícitas e que qualquer tentativa de associar seu nome ao caso não se sustenta. Outros parlamentares, como Júlio Arcoverde, também aparecem em menções nos materiais apreendidos, mas igualmente não são alvos da investigação.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.