Ciro Nogueira reage a Bolsonaro após Amin ser excluído da chapa ao Senado em SC

Atualizado em 21 de fevereiro de 2026 às 13:30
O presidente do PP, Ciro Nogueira, e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução/Poder360

Neste sábado (21), Ciro Nogueira reagiu à decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre as candidaturas ao Senado em Santa Catarina. O presidente do Partido Progressistas (PP) defendeu que o partido rompa a aliança com o Partido Liberal (PL) no estado, e apoie o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do Partido Social Democrático (PSD), na disputa pelo governo estadual.

A manifestação ocorre após Bolsonaro confirmar que os nomes ao Senado em Santa Catarina serão Carlos Bolsonaro e Carol de Toni. Com isso, o senador Esperidião Amin, do PP, ficou fora da composição, embora o partido contasse com o apoio do PL para sua tentativa de reeleição.

A definição foi anunciada depois de visita do deputado Sanderson (PL-RS) a Bolsonaro na Papudinha. Segundo ele, a chapa ao Senado em Santa Catarina está fechada sob orientação do ex-presidente. A escolha incluiu Carlos Bolsonaro, que enfrenta resistência de parte do eleitorado local por ocupar espaço antes associado à candidatura de Carol de Toni.

Diante do impasse, dirigentes do Progressistas passaram a discutir nova estratégia no estado. A possibilidade é alinhar-se a João Rodrigues, que disputará o governo contra o atual governador Jorginho Mello, do PL, candidato à reeleição. Rodrigues é identificado com pautas conservadoras e tem histórico político anterior ao bolsonarismo.

Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram

O coordenador da federação entre PP e União Brasil em Santa Catarina indicou que o movimento do PL empurra o partido para o campo adversário. O deputado Fabio Schiochet (União-SC) afirmou que, caso seja essa a posição do governador, o caminho natural será apoiar o candidato do PSD.

Ciro Nogueira declarou que a decisão final no estado deverá considerar a orientação de Esperidião Amin, que mantém a intenção de disputar novo mandato. O senador catarinense tem defendido consulta às bases partidárias antes de qualquer definição.

O episódio também produz efeitos fora de Santa Catarina. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, busca atrair a federação entre Progressistas e União Brasil para sua coligação. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu que a exclusão de Amin pode dificultar as negociações nacionais, embora sustente que a palavra final sobre o Senado cabe a Bolsonaro.

No plano estadual, a movimentação alterou o equilíbrio interno do PL. Carol de Toni lidera pesquisas para o Senado e sinalizou que pode deixar o partido caso não tenha a candidatura assegurada. A entrada de Carlos Bolsonaro também gerou críticas de empresários e associações locais, que questionam a importação de nomes de fora do estado.

Lindiane Seno
Lindiane é advogada, redatora e produtora de lives no DCM TV.