Ciúmes? Salles ataca Eduardo Bolsonaro por decisão “vergonhosa” sobre Senado em SP

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 11:18
Eduardo Bolsonaro e Ricardo Salles. Foto: reprodução

O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) criticou o apoio de Eduardo Bolsonaro a André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, na disputa pelo Senado em 2026. Em publicação no X nesta terça-feira (5), o parlamentar classificou a articulação como “vergonhosa” e atacou a ligação de André com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

O movimento ocorre após a revelação de que Eduardo Bolsonaro pode ocupar a primeira suplência da chapa de André do Prado, nome escolhido pelo PL em São Paulo para disputar o Senado. A articulação permitiria ao filho de Jair Bolsonaro manter influência na eleição paulista sem precisar disputar diretamente a vaga.

A reação de Salles expõe uma nova fissura na extrema direita paulista. O deputado do Novo tenta se posicionar como alternativa ao bolsonarismo tradicional no estado e passou a mirar a influência de Valdemar na montagem da chapa do PL.

“Esse apoio ao nome do filhote do Valdemar é vergonhoso. O próprio Eduardo sempre verbalizou sua ojeriza ao Centrão. Uma turma corrupta por natureza, fisiológica, patrimonialista”, escreveu Salles.

No mesmo texto, o deputado afirmou que o apoio de Eduardo a André contradiz o discurso que o próprio bolsonarismo construiu nos últimos anos contra o Centrão. Segundo Salles, o arranjo desmonta críticas feitas pela direita a acordos partidários, cargos, emendas e negociações por espaço político.

Salles também afirmou que nomes ligados ao bolsonarismo paulista, como Ricardo Mello Araújo e Mário Frias, foram derrotados na disputa interna. A escolha de André vinha sendo construída dentro do PL e ganhou força com o aval de Eduardo Bolsonaro, consolidando a influência de Valdemar Costa Neto na chapa paulista.

O deputado do Novo ainda associou André do Prado ao PT e ao Centrão. Para Salles, o presidente da Alesp não representa a direita. “Não importa que tipo de negociação houve, o que importa é que o pupilo do Valdemar é parceiro do PT. Assim como Alcolumbre e Motta, se elegeu na Alesp junto com o PT. É centrão na veia”, afirmou.

André do Prado preside a Assembleia Legislativa de São Paulo e foi reeleito para o biênio 2025-2026 em chapa que teve Maurici (PT) como 1º vice-presidente. Foi esse ponto que Salles explorou para sustentar a acusação de que o aliado de Eduardo integra o campo do Centrão.

O embate continuou nos comentários da publicação. Ao responder um usuário que disse considerar o apoio vergonhoso, mas afirmou confiar em Eduardo Bolsonaro, Salles ironizou a possibilidade de André renunciar ao mandato, caso seja eleito, para abrir vaga ao filho do ex-presidente.

“Blz, vote no valdemarzinho então e acredite no Papai Noel que ele vai renunciar para o Eduardo entrar”, escreveu.

A frase mira a tese de que Eduardo poderia assumir o Senado como suplente em eventual renúncia de André do Prado. Ao usar o apelido “valdemarzinho”, Salles tentou reforçar a associação do presidente da Alesp ao comando de Valdemar Costa Neto.

Com a articulação, Eduardo busca preservar espaço na eleição paulista em meio a disputas internas no PL. Salles, por outro lado, usa o episódio para tentar apresentar o grupo rival como aliado do Centrão e distante da direita que diz representar.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.