Classificar PCC como terrorista não ajuda, diz promotor especialista no grupo

Atualizado em 28 de maio de 2026 às 21:31
Lincoln Gakiya PCC CV
O promotor Lincoln Gakiya. Foto: Divulgação/Marco Ankosqui

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas não traria vantagens ao Brasil. A avaliação foi feita no programa “Canal Livre”, da Band, antes de o governo Trump anunciar a inclusão das facções brasileiras em listas de terrorismo dos Estados Unidos.

“Na minha opinião, nenhuma vantagem”, disse Gakiya ao ser questionado sobre o que o Brasil ganharia com a mudança de classificação. Segundo ele, a legislação estadunidense poderia abrir espaço para sanções contra o país por supostamente abrigar organizações terroristas.

O promotor afirmou que o erro está em confundir organizações criminosas com grupos terroristas. Para Gakiya, PCC e Comando Vermelho praticam atos violentos e podem ser tão perigosos quanto grupos terroristas, mas têm uma diferença central: atuam por interesse econômico, não por motivação política ou ideológica.

“Elas não têm política, não têm interesse ideológico”, afirmou. O promotor também disse que eventuais relações comerciais entre facções e grupos como Hezbollah, ETA ou Estado Islâmico não indicam alinhamento político, mas negócios do submundo do crime, como tráfico de drogas, armas e movimentação de dinheiro.

Gakiya foi um dos opositores à inclusão dessa classificação no projeto antifacção apresentado pelo deputado Guilherme Derrite (PL-SP). O trecho que equiparava facções como o PCC a organizações terroristas acabou retirado do texto após resistência.

O promotor também comentou a hipótese de uma fintech ligada ao PCC ter movimentado recursos para contas suspeitas de financiar o Hezbollah. Para ele, a eventual conexão não significa adesão ideológica, já que operadores criminosos prestariam o mesmo serviço a qualquer cliente disposto a pagar taxas nas transações.

Na avaliação de Gakiya, a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado foi contaminada pela polarização política. Ele afirmou que acordos internacionais podem ser positivos, mas estão longe de representar solução efetiva para um país que ainda enfrenta dificuldades para conter o tráfico.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.