
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), decidiu renunciar ao cargo já na segunda-feira (23), um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que pode torná-lo inelegível por oito anos. A cerimônia de despedida foi marcada para as 16h30 no Palácio Guanabara, que já havia iniciado o envio de convites a aliados políticos no domingo (22).
Castro é acusado de abuso de poder político, econômico e conduta vedada a agentes públicos durante a campanha de reeleição em 2024. A ação foi movida pelo Ministério Público Eleitoral e envolve também o então vice-governador Thiago Pampolha, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Segundo a acusação, houve contratação de milhares de pessoas pela Fundação Ceperj em período eleitoral.
Com a renúncia do bolsonarista, o estado passa a ser governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto. Como não há vice-governador, caberá a ele convocar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que escolherá um nome para cumprir mandato até janeiro, quando será empossado o governador eleito em outubro.
Segundo o Globo, a saída de Castro ocorre em meio à estratégia de tentar evitar a inelegibilidade e manter viável uma eventual candidatura ao Senado em 2026. A avaliação de aliados é que, ao deixar o cargo antes da conclusão do julgamento no TSE, a ação pode perder o objeto, já que ele não estará mais no exercício da função.

Nos dias que antecederam a decisão, o governador promoveu uma ampla reforma administrativa. Ao todo, 11 secretários foram exonerados para que possam disputar as eleições de 2026. Em nota, Castro afirmou que as mudanças “fazem parte do calendário eleitoral e são naturais neste momento”.
Entre as alterações, Felipe Curi deixou a Secretaria de Polícia Civil, substituído pelo delegado Delmir Gouveia. Na Infraestrutura e Obras, Raul Fanzeres assumiu no lugar de Uruan Andrade. Douglas Ruas deixou a Secretaria de Cidades, agora comandada por Maria Gabriela Bessa.
Outras mudanças incluem Diego Faro na Secretaria do Ambiente, Anderson de Azevedo Coelho em Desenvolvimento Social, Daniel Martins em Trabalho e Renda, Lucas Alves em Turismo e Isabela Alves na pasta de Juventude e Envelhecimento Saudável.
Também houve substituições na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, com a entrada de Renata Sphaier de Freitas, e na Habitação, com Fábio Paravidino. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico passou a ser comandada por Carla Nasser Monnerat.
A renúncia de Cláudio Castro encerra um ciclo político marcado por disputas judiciais e reorganiza o cenário eleitoral no Rio de Janeiro, abrindo espaço para novas articulações às vésperas das eleições.