
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça apontou que o bolsonarista Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, mantinha um “vínculo próximo” com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relação que contribuiu para a realização de aportes bilionários do Rioprevidência na instituição financeira. As suspeitas levaram o magistrado a autorizar mandados de busca e apreensão contra o ex-chefe do Executivo fluminense.
Na decisão, Mendonça afirmou que “a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro, com elevada coincidência temporal em relação aos aportes bilionários do Rioprevidência”.
O material analisado pela PF foi encontrado em um dos celulares apreendidos de Vorcaro. O ministro também apontou que Castro “exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes do Rioprevidência no Banco Master”.
Segundo a decisão, as investigações identificaram “sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS”, além de mensagens que indicariam a necessidade de alinhamento político para a liberação de determinados investimentos.
“A representação aponta sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social), além de conversas encontradas no celular de Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual”, escreveu Mendonça.

O magistrado citou ainda mudanças na gestão do Rioprevidência pouco antes do início da sequência de investimentos. De acordo com a decisão, a proximidade entre os dois teria influenciado tanto a aprovação dos aportes quanto a nomeação de dirigentes para cargos estratégicos no fundo previdenciário.
Mendonça afirmou que os investimentos foram mantidos mesmo após alertas formais de órgãos de controle e que a supressão de etapas técnicas e justificativas formais reforça a hipótese de interferência política indevida.
A operação desta terça (26) é um desdobramento da Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro. As investigações apontam que o Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Segundo a PF, a nova etapa apura ainda aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos ligados ao banco a partir de julho de 2024, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo fundo estadual.