Cláudio Castro vai renunciar para não ser cassado, dizem aliados

Atualizado em 19 de março de 2026 às 12:22
O bolsonarista Cláudio Castro, governador do RJ. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Aliados do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmam que ele decidiu renunciar ao cargo antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcada para a próxima semana. A avaliação no entorno do governador é que a saída antecipada pode evitar a cassação do mandato, embora não impeça eventual inelegibilidade, segundo a coluna de Letícia Casado no UOL.

O processo apura abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, no caso que envolve contratações no Ceperj (Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro) e na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). A ação foi aberta após ser revelada a existência de cargos sem transparência, usados para beneficiar aliados durante o período eleitoral.

Segundo interlocutores, a renúncia antes da conclusão do julgamento mudaria a situação jurídica, já que o tribunal deixaria de analisar a perda do mandato, mantendo apenas a discussão sobre inelegibilidade. A estratégia é vista como forma de reduzir os impactos políticos de uma eventual condenação.

No mesmo processo, também é réu o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Ele foi afastado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em investigação que apura obstrução de Justiça e vazamento de informações relacionadas a apurações sobre o crime organizado.

Cláudio Castro (PL) e Rodrigo Bacellar (União Brasil). Foto: Reprodução

Aliados de Castro avaliam que, mesmo se for declarado inelegível, ele ainda pode tentar disputar uma vaga ao Senado nas eleições de outubro, caso consiga autorização judicial para concorrer enquanto recorre da decisão. O grupo político também discute estratégias para a eleição que definirá o governador que ficará no cargo até o pleito regular.

A situação sucessória no estado é considerada delicada, já que o vice deixou o cargo e o próximo na linha seria o presidente da Alerj, que também enfrenta problemas judiciais. Com isso, existe a possibilidade de realização de uma eleição indireta antes da votação geral prevista para este ano.

Até agora, dois dos sete ministros do TSE já votaram pela cassação do mandato. A presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, convocou sessão extraordinária para dar continuidade ao julgamento, indicando pretende concluir a análise ainda neste mês. A defesa de Castro nega irregularidades e afirma que não houve abuso de poder comprovado.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.