Cleitinho compartilha VÍDEO de Otoni de Paula contra Flávio Bolsonaro sobre caso Richarlison

Atualizado em 23 de outubro de 2026 às 9:20
Flávio Bolsonaro e Cleitinho. Foto: reprodução

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, compartilhou nas redes sociais um vídeo em que o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) explica as acusações feitas pelo jogador Richarlison sobre a disputa por uma mansão em uma ilha de Angra dos Reis (RJ). O caso envolve o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), e passou a atingir diretamente a campanha presidencial do senador.

O gesto chama atenção porque Cleitinho declarou apoio a Flávio durante a campanha presidencial. O mineiro foi eleito governador no dia 4 de outubro, com 55,4% dos votos válidos.

No vídeo compartilhado, Otoni reconstrói a versão apresentada por Richarlison. Segundo o deputado, o problema teria começado após Flávio visitar a propriedade acompanhado de Willer Tomaz. O jogador afirma que o senador demonstrou interesse na mansão e fez uma oferta para comprá-la, mas a proposta foi recusada.

Richarlison sustenta ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição e manutenção do imóvel entre 2020 e 2021, em sociedade com outras duas pessoas. Depois da recusa em vender, segundo sua versão, o processo de regularização do grupo junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU) teria permanecido sem solução por cerca de dez meses, enquanto a transferência cadastral em favor da empresa de Willer teria avançado rapidamente.

Otoni atribuiu o episódio à influência política de Flávio durante o governo de Jair Bolsonaro e afirmou que a movimentação na SPU teria beneficiado a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer. Essa é uma acusação do deputado e não uma conclusão estabelecida pela Justiça ou pela Polícia Federal.

A documentação divulgada até agora revela uma disputa complexa sobre a cadeia de posse da propriedade. Documentos apresentados por Richarlison começam em 2011 e incluem um acordo posteriormente homologado pela Justiça. Já Willer apresenta registros administrativos que remontam a 1975 e foram reconhecidos pela SPU. Um intervalo de cerca de 25 anos na documentação anterior está entre os principais pontos de controvérsia.

“Tomaram na mão grande”

Richarlison tornou pública sua versão durante a reta final da eleição. “Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça”, afirmou o jogador, ao citar Flávio e Willer.

Ele diz que perdeu o imóvel sem receber de volta os aproximadamente R$ 10 milhões que afirma ter aplicado e pediu que a Polícia Federal investigue o episódio.

Após ser desafiado por Willer a apresentar documentos, Richarlison publicou contratos, decisões judiciais e números de processos administrativos que, segundo ele, comprovam seus direitos sobre a propriedade. O advogado, por outro lado, afirma que o jogador adquiriu direitos de pessoas que não seriam os proprietários legítimos e sustenta que sua própria compra ocorreu de forma regular. :chatgpt-content-reference{index=”4″}

Willer afirmou ainda ter desembolsado R$ 3,6 milhões na aquisição e regularização da propriedade — R$ 600 mil pela compra e cerca de R$ 3 milhões para quitar débitos.

Flávio nega participação

Flávio Bolsonaro não é parte no processo judicial sobre a posse da ilha. Sua assessoria afirma que ele não comprou, vendeu ou intermediou a propriedade e que sua participação se limitou ao fato de conhecer Willer e ter sido indicado como testemunha no processo. O senador confirmou anteriormente ter visitado o imóvel.

A disputa ganhou ainda outro componente após a divulgação de imagens da ação de reintegração de posse, que mostram policiais militares e homens armados no local.

Em análise preliminar feita a pedido da revista Fórum, o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, classificou as imagens como algo que lhe parecia “coisa de milícia” e defendeu investigação. A declaração é uma avaliação do advogado e não representa conclusão das autoridades de que milicianos tenham participado da operação.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 32 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.