
Clientes do Will Bank têm relatado dificuldades para acessar contas, resgatar saldos e realizar pagamentos após a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central. A instituição funcionava como braço digital ligado ao Banco Master e teve as operações interrompidas, o que deixou valores bloqueados no aplicativo.
A vendedora varejista Nayara Estevão contou que havia depositado mais de R$ 3 mil referentes à rescisão do emprego poucos dias antes da liquidação. O dinheiro ficou retido. Cliente do banco há quatro anos, ela afirma que os problemas operacionais já vinham ocorrendo.
“Mesmo tendo limite disponível, já tive compras recusadas várias vezes em estabelecimentos. No momento, a falta desse valor me afetará muito. Seria o valor de comprar material escolar do meu filho e pagar algumas contas básicas, já que estou desempregada”, disse ao UOL.
Situação semelhante foi relatada pela artesã Juliana Fernandes, cliente desde a criação do banco. Ela afirma que ainda consegue receber transferências, mas não consegue sacar os valores. Ao abrir o aplicativo, foi surpreendida pelo aviso da liquidação. “Eu estou recebendo inúmeras ligações de golpistas tentando entrar em contato e se passando pelo Will Bank”, afirmou.
Nas redes sociais, outros clientes também relataram prejuízos. “O Will Bank foi liquidado e junto com ele o meu salário completo que ia sobreviver durante esse mês”, escreveu um usuário. Outro comentou: “Will Bank faliu, já retirou tudo do ar? Mas o aviso da fatura aberta ainda continua pra você não esquecer”.

Segundo o advogado Carlos Alberto Casseb, especialista em falência e recuperação judicial, clientes com dívidas ou faturas em aberto devem continuar pagando normalmente. Ele explica que a liquidação não suspende a cobrança e que o aplicativo ainda permite o recebimento de depósitos e a quitação de débitos. Já os valores retidos em conta ficam bloqueados até decisão do Banco Central ou da Justiça.
A devolução dos saldos segue regras específicas. Quem tinha até R$ 250 mil no banco tem direito à restituição por meio do Fundo Garantidor de Créditos. Valores acima desse limite dependem de decisão judicial no processo de liquidação extrajudicial. O FGC ainda aguarda a lista oficial de credores para liberar os pedidos.
O fundo orienta que os clientes aguardem a abertura do campo de solicitação no aplicativo oficial. O FGC não cobra taxas, não pede depósitos antecipados e não entra em contato por telefone.