Clóvis Rossi ‘esqueceu’ de FHC ao dizer que Haddad não terá votos para presidente por ter perdido a prefeitura de SP. Por Kiko Nogueira

FHC na cadeira de prefeito de SP, um dia antes de perder para Jânio em 1985

Tales Alvarenga, ex-diretor da Veja, chamava Clóvis Rossi de “repórter pé de boi”.

Tendo sido o próprio Tales um editor pé de boi, é de se imaginar o que a galhofa significava para ele.

Clóvis, em sua imemorial cruzada anti Lula — eis um negócio que dá dinheiro e garante sobrevida em empresas de mídia no bico do corvo —, investiu em sua coluna contra Fernando Haddad.

“Será que postes têm gratidão?” é o título do artigo em que traça um paralelo entre Iván Duque, presidente da Colômbia, afilhado de Uribe, e Haddad.

Bate no ex-ministro Bresser-Pereira, cujo crime é ser “agora um defensor apaixonado de Lula, um caudilho populista de raça”.

Haddad “não pode escapar do papel de ‘poste’ de Lula”, afirma Clóvis.

“Se não teve votos nem para ir ao segundo turno na eleição municipal em São Paulo, a lógica manda dizer que não os terá, com seu próprio nome, na presidencial”.

A “lógica” de Clóvis obedece, primeiro, ao dono da Folha, e depois ao próprio sujeito.

Em 1985, em campanha para a prefeitura de São Paulo pelo PMDB, Fernando Henrique Cardoso perdeu para Jânio Quadros, considerado um morto vivo.

FHC pagou o mico clássico de posar na cadeira de prefeito, a pedido da Veja, na véspera. Em 1995, não obstante, subia a rampa do Planalto.

Todo jornalista erra. Clóvis Rossi erra muito — mas, como é do lado certo, segue o baile.

Noam Chomsky já corrigiu o que ele escreveu sobre Noam Chomsky.

Em novembro, saudou Mauricio Macri, que acabava de “pôr na roda uma agenda revolucionária que, se copiada no Brasil para a campanha eleitoral de 2018, pode alçá-la a um patamar enriquecedor”.

“Macri quer ser julgado pela obtenção ou não dessa meta. Não é objetivo habitual na retórica liberal —o que completa o caráter revolucionário da agenda que o argentino acaba de lançar”.

Etc etc.

Em maio, o resultado dessa fabulosa revolução: desvalorização do peso, fixação de taxas de juros em inacreditáveis 40% ao ano e o pedido de socorro ao FMI, no valor de US$ 30 bilhões, para conter a disparada da moeda americana.

Em sua análise da derrota para Jânio, Fernando Henrique culpou, adivinhe só, o PT, que concorreu com Eduardo Suplicy: uma parcela das forças progressistas, declarou, era “turrona e não entendeu ainda o que é democracia”.

Clóvis Rossi também sempre poderá culpar o PT por suas baboseiras — além dos fatos, é claro.

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