
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou a assinatura de um acordo de US$ 4,3 bilhões para a compra de 17 caças Gripen, fabricados pela empresa sueca Saab, em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica na América Latina.
Segundo Petro, a aquisição dos aviões de combate tem caráter dissuasório. “É uma arma para dissuadir e alcançar a paz”, afirmou o presidente, destacando que o objetivo é evitar agressões contra o país.
O contrato, confirmado meses após o anúncio inicial, prevê a entrega de 17 aeronaves do modelo Gripen E/F — sendo 15 monopostos e duas versões de dois assentos — além de armamentos, treinamento e suporte logístico.
Escalada de tensões com os EUA
A compra ocorre em um momento delicado nas relações entre Bogotá e Washington. A região vive um clima de instabilidade após o aumento da presença militar dos Estados Unidos, incluindo operações no Caribe e no Pacífico oriental contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
Os EUA alegam que as ações visam combater o narcotráfico, mas não apresentaram provas públicas. As operações já deixaram cerca de 80 mortos em águas internacionais, gerando críticas de líderes latino-americanos, juristas e organizações de direitos humanos, que acusam Washington de execuções extrajudiciais.
O ex-presidente americano Donald Trump também intensificou a retórica contra líderes da região, acusando Petro e o presidente venezuelano Nicolás Maduro de envolvimento com o narcotráfico — alegações negadas por ambos.
🇸🇪🇨🇴I’m proud that Colombia today joins the Gripen E family, alongside Sweden, Brazil and Thailand. With the Colombian purchase of 17 Gripen E/F, our defence relations will deepen significantly & Colombia will receive one of the world’s greatest fighter jets. (1/4) pic.twitter.com/g0rESq69nD
— Pål Jonson (@PlJonson) November 14, 2025
“Geopolítica bagunçada”
Petro afirmou que a decisão de reforçar o poder aéreo colombiano está ligada ao cenário internacional incerto. Segundo ele, “em um mundo geopoliticamente bagunçado, as ameaças podem vir de qualquer lugar”.
O presidente colombiano também acusou os Estados Unidos de buscar controlar recursos estratégicos da região, como o petróleo venezuelano, e de tentar desestabilizar a América Latina.
Em meio à crise diplomática, Petro chegou a anunciar a suspensão do compartilhamento de inteligência com Washington no combate ao narcotráfico — decisão posteriormente amenizada por membros de seu governo.
Disputa internacional e escolha pela Suécia
Antes da decisão final, empresas dos Estados Unidos e da França também disputavam o contrato para fornecer caças à Colômbia. No entanto, Bogotá optou pela proposta sueca da Saab.
Com o acordo, a Colômbia se junta a países como Brasil e Tailândia na adoção do Gripen, ampliando a cooperação militar com a Suécia. Autoridades suecas afirmaram que a parceria deve fortalecer significativamente os laços entre os dois países.