Colômbia escolhe novo presidente e Iván Cepeda, de esquerda, lidera corrida

Atualizado em 31 de maio de 2026 às 15:20
Ilustrativa
O candidato e aliado de Petro, Iván Cepeda. Foto: Jair F. Coll/Bloomberg

Os colombianos vão às urnas neste domingo (31) para eleger o presidente que governará o país entre agosto de 2026 e 2030. O senador e filósofo Iván Cepeda aparece na liderança das pesquisas de intenção de voto e pode até garantir a vitória já no primeiro turno, caso ultrapasse a marca de 50% dos votos válidos.

Representante da esquerda e aliado do atual presidente Gustavo Petro, Cepeda registra cerca de 44% das preferências do eleitorado. Defensor dos direitos humanos, ele foi um dos principais formuladores da política de “paz total”, iniciativa do governo Petro que buscou negociar simultaneamente com grupos armados atuantes no país.

Na disputa, Cepeda enfrenta dois candidatos identificados com a direita colombiana. O advogado e empresário Abelardo de la Espriella, conhecido pelo apelido “El Tigre” e por seu discurso de linha dura contra o crime, aparece com aproximadamente 31% das intenções de voto. Já a senadora Paloma Valencia soma cerca de 16% e se apresenta como herdeira política do ex-presidente Álvaro Uribe.

Como a reeleição presidencial é proibida na Colômbia, o pleito tem sido tratado por muitos analistas como um referendo informal sobre os quatro anos de governo Petro. Ele assumiu o cargo cercado de desconfiança e baixos índices de aprovação, mas ampliou sua base de apoio ao aprofundar pautas de esquerda e apostar na mobilização popular para aprovar reformas.

Durante participação no podcast O Estrangeiro, da Rádio Brasil de Fato, o historiador e analista político Miguel Stédile avaliou que Petro aproveitou o curto período de governo para enfrentar temas considerados históricos no país, especialmente na área trabalhista. Entre as mudanças destacadas estão o reconhecimento de categorias profissionais antes desprotegidas, a ampliação de direitos para mulheres e a regulamentação de trabalhadores de aplicativos.

Mudança de posicionamento internacional

Sob o governo Petro, a Colômbia promoveu uma mudança significativa em sua política externa. Tradicional aliado estratégico dos Estados Unidos na América Latina, o país passou a adotar uma postura mais independente e aproximou-se de governos progressistas da região, como os de Brasil e México.

O período também foi marcado por denúncias de tentativas de interferência externa na política colombiana. Entre elas está o chamado “Hondurasgate”, que apontou a atuação de grupos conservadores e estruturas digitais voltadas para enfraquecer governos progressistas na América Latina.

No cenário internacional, o governo colombiano ganhou destaque por sua defesa de pautas ligadas aos direitos humanos e por críticas à atuação de Israel na Faixa de Gaza, além de questionamentos dirigidos aos Estados Unidos sobre o conflito palestino.

Colômbia
Eleições presidenciais ocorrem hoje (31) na Colômbia. Foto: Álvaro Garcia/El País

Legado de Petro

A administração Petro aponta como principais realizações a ampliação da reforma agrária, com mais de 2 milhões de hectares formalizados e destinados a comunidades rurais, além da redução do desemprego para 9,2%, o menor índice do século no país.

O governo também destaca a retirada de cerca de 1,6 milhão de pessoas da pobreza monetária, o aumento acumulado de 23,4% no salário mínimo e avanços na transição energética, com a geração de energia solar superando a produção baseada em carvão.

Na área ambiental, houve redução de 39% no desmatamento nacional. Já no combate ao narcotráfico, as autoridades registraram apreensões recordes de cocaína, além da quitação integral da dívida do país com o Fundo Monetário Internacional.

O projeto de Cepeda

Caso seja eleito, Cepeda terá como vice a líder indígena e senadora Aida Quilcué. A chapa propõe um programa baseado em três eixos centrais: uma Revolução Ética, voltada ao combate à corrupção e à violência; uma Revolução Econômica e Social, focada na redução da pobreza e na redistribuição de terras; e uma Revolução Política e Democrática, que busca ampliar a participação popular e aprofundar os esforços de construção da paz.

Aliados de Cepeda denunciam a atuação do chamado “Projeto Júpiter”, descrito como uma estratégia organizada por grupos conservadores e empresários para influenciar o debate público por meio da disseminação de mensagens de medo e incerteza durante o processo eleitoral.

Com a votação deste domingo, a Colômbia decide não apenas seu próximo presidente, mas também se dará continuidade ao ciclo político iniciado pela histórica eleição de Gustavo Petro em 2022.

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