Com 50 faltas, Eduardo Bolsonaro se aproxima da perda de mandato; entenda

Atualizado em 29 de novembro de 2025 às 21:57
Eduardo Bolsonaro em evento conservador nos EUA. Foto: Saul Loeb/AFP

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atingiu 50 faltas não justificadas na Câmara dos Deputados, segundo registros oficiais divulgados nesta sexta-feira (29). O parlamentar está nos Estados Unidos desde março, período em que participou de ações relacionadas a sanções americanas a autoridades brasileiras. O número de ausências supera o limite previsto pela Constituição para manutenção do mandato.

A regra constitucional estabelece que parlamentares que faltarem, sem justificativa, a um terço das sessões ordinárias podem perder o mandato. Como a Câmara costuma realizar entre 85 e 90 sessões legislativas por ano, o limite aproximado é de 45 faltas. Mesmo desconsiderando o período em que esteve licenciado, entre março e julho, o deputado já ultrapassou a margem permitida.

A contagem final das ausências, no entanto, só deve ser formalizada em março do ano que vem, conforme norma da Mesa Diretora aprovada em 2017. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), apresentou um projeto de resolução no dia 14 deste mês para alterar esse procedimento, propondo verificação trimestral e abertura imediata de processo de perda de mandato quando o limite constitucional for excedido.

Além dessa iniciativa, Lindbergh protocolou um pedido de cassação contra Eduardo na Mesa Diretora e enviou representação à Procuradoria-Geral da República. No documento, ele solicita bloqueio de salários e benefícios do parlamentar enquanto durar a tramitação e pede ressarcimento pelos dias não trabalhados.

Em outubro, integrantes da oposição tentaram indicar Eduardo Bolsonaro para a liderança da minoria, o que preservaria o deputado de um processo de cassação. A indicação, porém, foi barrada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que negou a manobra.

Eduardo também responde a uma denúncia por coação no processo que apura a trama golpista, apresentada pela Procuradoria-Geral da República e aceita pela Primeira Turma do STF. O parlamentar foi acusado de atuar nos Estados Unidos pela aplicação da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. O caso segue em tramitação no Supremo.