Com Demétrio Magnoli, Globo dá voz ao negacionismo de banho tomado e faz a festa do bolsonarismo delinquente

Demétrio Magnolli

Na GloboNews, Gerson Camarotti e Demétrio Magnoli se engalfinharam ao falar sobre as aglomerações registradas nos últimos dias.

O vídeo está no pé deste artigo.

“Eu quero perguntar para o Camarotti: você diria que ele é execrável depois de passar um ano inteiro se aglomerando nos trens para trabalhar em setores essenciais porque ele agora se aglomerou na Praia Grande?”, provocou Magnoli.

“Você que está colocando essa palavra, Demétrio. Você que tem que responder a essa pergunta. Você tem a recomendação da ciência”, devolveu o outro.

“Bota a palavra na tua boca e responda como você achar melhor. Agora, a ciência tem que ser seguida. Não dá para ter exceção. É compreensível a situação social do país, você sabe disso, eu sei disso, conheço bem essa realidade, é preciso levar isso em consideração, mas uma coisa é trabalho e sobrevivência, outra coisa é festividade. É preciso ter bom senso também, Demétrio.”

Magnolli respondeu, professoral: “Não existe só uma ciência chamada epidemiologia. Existe uma outra ciência chamada sociologia e uma outra chamada antropologia.”

A apresentadora Cecilia Flesch tentou intervir, mas foi engolida pela discussão.

Demétrio ainda teve tempo de dar uma última estocada e chamou os comerciais acusando a França de ser um “estado policial” por causa das restrições em Paris.

O debate é bem-vindo, mas o que aconteceu foi propaganda anti-isolamento de um negacionista bolsonarista de banho tomado e credencial acadêmica.

Na Folha de hoje, Magnolli ataca “epidemiologistas” que foram “hipnotizados por modelos estatísticos”.

Numa epidemia, é óbvio que a orientação principal venha dos epidemiologistas e não dos bicheiros, das cartomantes ou dos sociólogos, como quer Magnolli — que é um deles, aliás.

É demagogia barata dizer que os turistas do litoral sul de São Paulo podem se juntar por terem ralado o ano inteiro.

Pobres, portanto, podem morrer procurando uma UTI num hospital lotado em nome de gozar de alguns dias do paraíso da classe operária.

Qual é o papel do governo ou das autoridades sanitárias? Distribuir caixões? 

Não. O estado malvadão não deve fazer nada. A liberdade de contaminação é mais importante que a vida, segundo Bolsonaro e os seus.

Demétrio faz o mesmo papel de Osmar Terra na CNN: desinformar, dar argumentos para comportamentos que levarão à morte e encorpar o bolsonarismo.

Como fica esse raciocínio para os donos de jatinhos em Trancoso? Ou para Neymar? Ou para Doria, que justificou suas férias em Miami com exatamente o papo de que “trabalhou incessantemente”? 

Demétrio Magnoli se gaba de ser ex-trotskista da Libelu. É o mesmo tipo de salvo conduto ostentado por Gabeira: o direitista que se livrou da doença infantil do esquerdismo. 

Em fevereiro, ele já delineava esse discurso.

“A pandemia do arbítrio representa ameaça maior que o agente biológico da doença”, escreveu.

Sobre a taxa de mortalidade, deu um chute: “No fim, talvez revele-se menor que a das gripes comuns”.

Nunca se retratou por essa estupidez.

É a gripezinha de Bolsonaro na voz de um cidadão acima de qualquer suspeita, na emissora e no jornal que o presidente sociopata tem como inimigos figadais.

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