Com Dino na mira, MBL quer repetir Equador e caçar juízes “suspeitos” de ligação com tráfico

Atualizado em 13 de janeiro de 2024 às 13:38
Mamãe Falei e Kim Kataguiri

O agrupamento golpista Movimento Brasil Livre (MBL) – que andava mais preocupado em fazer uma plástica e adotar uma onça pintada como símbolo de seu embrião de partido, o

Missão – resolveu dar pitaco na guerra sem trégua enfrentada pelo Equador. Lá, o presidente, o empresário milionário direitista Daniel Noboa, segue tomando decisões atabalhoadas sem resolver a onda de violência.

Nessa sexta, 12, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que propôs ao governo equatoriano assistência na área de inteligência para combater as quadrilhas associadas ao narcotráfico, já que o país, novo entreposto do narcopoder, se situa entre os dois maiores produtores de coca do planeta, Colômbia e Peru, associados a cartéis mexicanos.

Mas o MBL tem outro alvo: quer aproveitar a “caça a juízes e promotores” suspeitos, adotada por lá, para reprisar por aqui uma fake news e atingir Flávio Dino, prestes a atingir o Supremo.

“No Equador, o Presidente Daniel Noboa decidiu entrar em guerra contra facções criminosas e não está dando moleza. Agora ele diz que até juízes e promotores envolvidos com facções serão considerados parte do terrorismo. Atitude mais do que correta. Está na hora de alguém no Brasil ter a mesma coragem”, diz o tuíte do grupelho.

O tuíte vem acompanhado de uma foto do dândi Daniel Noboa, com direito a selo do MBL e, em letras garrafais, sua decisão: “Juízes e promotores envolvidos com facções serão considerados parte do terrorismo!”. Um internauta logo comentou: “E vejam, o MBL quer a prisão dos juízes e ministros. Vou printar para não dizer que é armação nossa!”. “Cheirinho de golpe (risos), mas o MBL adora isso, né?”, resume outro leitor atento.

O tuíte do MBL pedindo que o governo brasileiro repita o Equador e comece a caçar juízes e promotores “envolvidos com facções” de narcotraficantes, tem alvo: Flávio Dino. Obviamente o MBL não se referia a seus ídolos, o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol. O MBL quer reviver a fake news da “dama do tráfico amazonense”, publicada inicialmente pelo Estadão e logo viralizada.

Noboa, sem conseguir controlar as ruas, cria factóides. Enquanto combate o povo nas ruas, e cria um regime  de exceção, fala em construir duas novas super prisões de segurança máxima, nas províncias de Pastaza e Santa Elena.

Também avalia usar três embarcações que cumpram, em alto-mar, as condições de navios prisionais. Ao superlotar presídios, o governo do ricaço Noboa ginge ignorar que todo poder emana das cadeias – nos moldes do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo. Ali dentro quem manda são Los Choneros, comandados por Adolfo Macías, o Fito – que, por acaso, fugiu da prisão perto de Guayaquil, pouco antes do início da onda de ataques.

O MBL, cada vez mais global, já anunciou que vai até El Salvador para cobrir a reeleição de Nayib Bukele pelo partido populista de direita Nuevas Ideas. A popularidade de Bukele cresceu justamente quando o governo adotou uma política linha-dura de segurança pública, e colocou em execução uma política de encarceramento em massa, levando El Salvador a ter a maior taxa de pessoas presas no mundo.

A turma já esteve na Ucrânia, como se sabe. Seu então representante, o deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, teve o mandato cassado pela Alesp por assediar sexualmente refugiadas ucranianas, o que ficou provado em vários áudios sexistas.