Com leilão do pré-sal, Brasil abre mão de sua soberania sobre o petróleo, diz Ildo Sauer

(AFP)

PUBLICADO NO REDE BRASIL ATUAL

O leilão de campos do pré-sal programado para esta quarta-feira (6) resultará numa perda de US$ 300 bilhões à economia do Brasil, ou seja, R$ 1,3 trilhão aproximadamente no câmbio atual. O cálculo foi feito pelos ex-diretores da Petrobras Guilherme Estrella e Ildo Sauer, que entraram com ações judiciais contra o leilão da cessão onerosa feita pelo governo Bolsonaro.

Sauer, que também é professor do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, diz que o Brasil está entregando cerca de 15,2 bilhões de barris de petróleo. Em sua avaliação, o negócio é danoso também porque, na prática, determina o fim da capacidade do país de controlar o seu ritmo de produção.

“Uma coisa é leiloar por meio do modelo de partilha e ver o quanto sobra para o governo, entre impostos, royalties e lucro. A outra conta é se contratassem diretamente a Petrobras, pagando os custos. Isso renderia mais de R$ 1 trilhão. Além disso, o governo controlaria a produção, seria soberano. Bolsonaro diz que o Brasil deveria aderir à OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas essa outorga não dá esse direito, pois ele renunciou à soberania sobre o rito de produção do petróleo”, critica Ildo, em entrevista aos jornalistas Marilu Cabanas e Glauco Faria na Rádio Brasil Atual.

“Quando se anuncia que é o maior leilão do mundo, me pergunto por que os outros países não fazem esse tipo de coisa? É porque estamos na contramão da história. Em valor de longo prazo, equivale a duas reformas da Previdência”, aponta. “É irônico e triste ver os parlamentares festejando a repartição de migalhas. Vai R$ 22 bilhões para estados e municípios. Isso não é nada, é menos que os 5% da gorjeta de garçom”, acrescenta.

A expectativa do governo federal e da agência reguladora, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), é de que o leilão possa arrecadar até R$ 106,56 bilhões em bônus de assinatura, que serão repartidos entre a Petrobras, a União, estados e municípios. Foram habilitadas a participar 14 empresas privadas e estatais, incluindo a Petrobras.

O ex-diretor da Petrobras afirma que o Brasil está abrindo mão de um modelo de desenvolvimento nacional. “O problema é duplo, pois deixaremos de produzir um volume de recursos essenciais dentro de uma economia que está estagnada. Se esses recursos não ficam no país, não vai ter investimento em educação, saúde e segurança. O Brasil está destruindo sua indústria e a maior produtividade do trabalho vem de lá. A Petrobras gerou empregos e, agora, com um novo operador, isso acaba”, lamenta.

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