Com Toffoli está assim. Imaginem com Fux. Por Moisés Mendes

Toffoli recebe Bolsonaro após o presidente marchar sobre o STF

Dois jornalistas foram agredidos no domingo, diante do Palácio do Planalto, por fascistas encorajados pela presença de Bolsonaro. O presidente do Supremo levou três dias para se manifestar e condenar as agressões.

Três dias, no tempo das urgências em que vivemos hoje, são uma eternidade. Quanto tempo Dias Toffoli levará para reagir à agressão de Bolsonaro, seus ministros e 15 empresários, não ao Supremo, mas ao Judiciário, com a invasão de hoje?

Um grupo decide, em reunião do Planalto, que é só atravessar a rua e largar a crise no colo do STF, e o presidente do Supremo senta-se à mesa com Bolsonaro e os ministros, como se tivesse sido subjugado pelos visitantes.

Os jornais estão noticiando, desde o final da visita, que outros ministros do Supremo estão descontentes com o tom de Dias Toffoli.

O ministro respondeu ao apelo de Bolsonaro para que as restrições sejam levantadas, dizendo que as decisões do Supremo respeitam a Constituição, que Estados e municípios têm autonomia para definir medidas na área da saúde e que o governo federal deve se entender com os outros “entes da federação”.

Toffoli não poderia ter dito em uma frase, uma só, que estava surpreso com aquele encontro inesperado? Não poderia ter afirmado, sem se exaltar, mas com firmeza, que as relações entre os poderes devem ser protocolares e cumprir liturgias?

Ministros de Bolsonaro que já usaram farda, e que sempre exaltam as leis, as normas e a hierarquia como condição para a manutenção da ordem, sabem que cometeram um erro hoje.

O governo não poderia ter atravessado a praça, no improviso, para surpreender o STF. Não há superioridade hierárquica do Executivo em relação ao Judiciário.

Bolsonaro, seus ministros e os empresários subestimaram a reação, não de Toffoli, que não aconteceu, mas dos outros ministros da Corte, que ainda pode acontecer.

O que corre, desde a volta da turma para o Planalto, é que Toffoli está isolado na sua tentativa de aproximação com Bolsonaro, num momento em que os Bolsonaros, o pai e os filhos, afrontam e estimulam agressões ao STF.

Bolsonaro tem questões sérias a resolver, que passam por decisões do Supremo, e não só as que se relacionam com o poder dos Estados e municípios de fixar restrições contra a pandemia.

Bolsonaro tem os filhos enrolados nas investigações sobre as fake news (motivo da troca na Polícia Federal), tem o caso de Sergio Moro, o inquérito sobre o patrocínio dos golpistas às manifestações pró-ditadura (que também pode envolver os garotos) e mais o caso Flavio-Queiroz.

Bolsonaro não atravessou a praça e marchou em direção ao STF apenas para pedir o fim do isolamento social, mas para dizer que peita o Judiciário quando quiser.

E não podemos esquecer que daqui a quatro meses Toffoli passa o comando do Supremo a Luiz Fux, que sumiu na pandemia. Então, fiquem sabendo que pode piorar.

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