Começa a segunda etapa do PT no poder

Que traga mais avanço social que a primeira: esta a mensagem que emerge dos protestos.

Hora de ação
Hora de ação

Começa a segunda etapa da era PT no poder.

Essa a principal conclusão que emerge dos protestos e, também, do pronunciamento de Dilma ontem.

Dez anos passados sob Lula primeiro e agora Dilma, está claro que o que foi feito no campo do desenvolvimento social ficou aquém do que deveria.

O real ataque ao governo, nos protestos, veio pela esquerda, e não pela direita – embora esta tenha desonestamente tentado se apropriar das manifestações.

Isso quer dizer: o país quer mais ações sociais, e não menos.

E os brasileiros gritaram também que não suportam mais alianças como as que o PT se especializou em fazer, porque elas inibem transformações.

A foto que simboliza o repúdio da sociedade à política que está aí é aquela entre Lula e Haddad com Maluf.

As ligações de Dilma com os ruralistas – para infortúnio extremo dos indígenas – são também detestáveis.

Alguns petistas argumentam que não dá para fazer política de outra forma no Brasil.

Ora, se é essa a conclusão, então é hora de colocar no poder gente capaz de fazer as alterações vitais para que a desigualdade se mitigue no país.

O país quer novidades, como mostrou o MPL – e o fato é que o PT não apresentou, até aqui, as novidades demandadas. Não, pelo menos, no volume necessário.

Tivesse feito o que se espera, Pinheirinho não teria sido destruído, e nem as comunidades pobres ao redor de locais que serão usados na Copa.

Os índios não enfrentariam este holocausto. A Globo não seria monopolista e não continuaria a receber bilhões – 6 em 10 anos – do governo em verba publicitária que vai alimentar um fator de enorme atraso social.

As escolas públicas estariam bem melhores, bem como os hospitais gratuitos. E o transporte público não seria a calamidade que é.

Não haveria tantas favelas nas grandes cidades.

Coloquemos assim: tivesse o PT feito o que deveria, o MPL sequer teria surgido.

O PT não pode passar a eternidade atribuindo os problemas sociais brasileiros às administrações anteriores.

Milhões de brasileiros votaram em Lula e depois em Dilma para que velhos problemas de iniquidade e injustiça fossem resolvidos, e não evocados a cada crise num tom de impotência lamuriosa incompatível com quem está no Palácio do Planalto.

As autocongratulações do PT pelos dez anos de poder receberam a justa, a exata, a merecida resposta das ruas.

Começa agora a segunda etapa do partido no Planalto.

Chega de falar. É hora de agir.

Se em 2014 o quadro estiver parecido com o atual, não haverá mais motivos para votar no PT – a não ser pela melancólica lógica de que os outros são ainda piores.

O Brasil merece mais.

Os miseráveis brasileiros merecem muito mais.