Comitiva bolsonarista a Israel é ideológica, não epidemiológica. Por Fernando Brito

Que time, não?

Publicado no Tijolaço

Jair Bolsonaro mudou o discurso e nem falou mais na “cheiroquina”, o tal spray nasal que “dizem que é milagroso” para justificar o envio de uma comitiva governamental a Israel e agora diz que vai buscar cooperação em medicamentos e vacinas.

Menos mal.

Mas seria natural, se assim fosse, que a comissão fosse de cientistas – imunologistas, epidemiologistas, farmacêuticos, bioquímicos, não é?

Não é: de todos, apenas dois são médicos e só um – Marcelo Marcos Morales, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, especialista em Biofísica Celular e Molecular – tem atuação na área. O outro médico, Helio Angotti Netto, é assessor de Eduardo Pazuello, cultor de Olavo de Carvalho e oftalmologista.

O resto é de dar dó: Eduardo Bolsonaro – quem sabe para observar algum hambúrguer antiviral ou para avaliar o extermínio do virus a tiros de pistolas Glock; Hélio Lopes, o deputado Helio Negão, subtenente reformado do Exército; Max Guilherme Machado de Moura, 1º Sargento do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, o Bope, Filipe Martins, chefe da assessoria ideológica do presidente e Fabio Wajngarten, ex-chefe da publicidade palaciana.

Há também, além do espetacular chanceler Ernesto Araújo, que outro dia apresentou a estranha tese de que as mortes por Covid aumentam quando começa a vacinação e mais dois diplomatas: o Secretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega, e o secretário do Departamento de Promoção de Serviços, Pedro Paranhos.

Portanto, dos dez, só um tem condições de tratar de questões científicas com um grau razoável de conhecimento. Os outros nove vão mesmo pela especialidade de “ideologia clínica”, passar três dias em terras israelenses, mais ou menos o mesmo tempo que os militares de Israel passaram aqui no desastre de Brumadinho, com muito gasto e pouco ou nenhum resultados, porque quem “segurou” a barra foram os bombeiros de Minas Gerais.

Ninguém, mas ninguém mesmo das nossas instituições voltadas para a pesquisa de vacinas e medicamentos foi chamado.

É Coronatur ideológico.

 

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