
Em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, o jornalista e economista Eduardo Porter analisa o impacto econômico da guerra no Irã e como ele pode se tornar um dos principais fatores na possível derrota de Donald Trump nas eleições. Segundo Porter, a guerra, embora inicialmente vista como uma vitória para o presidente americano, tem consequências econômicas que podem minar o apoio popular.
Porter destaca que a guerra tem sido “profundamente impopular desde o início”, um ponto significativo para um país que, normalmente, tende a apoiar operações militares, mesmo sob justificativas questionáveis. “O que faz essa guerra ser particularmente impopular é o impacto econômico. A alta nos preços do petróleo, que já fez a gasolina ultrapassar os US$ 3,50 por galão [o equivalente a R$ 0,93 por litro], está afetando diretamente o bolso dos americanos”, escreve Porter.
Ainda segundo Porter, a autossuficiência dos EUA em termos de energia, embora tenha contribuído para atenuar alguns dos impactos econômicos, não é suficiente para isolar o país dos altos preços globais de energia. “O preço do petróleo é definido nos mercados globais, não importa de onde ele venha. E, portanto, o aumento nos preços do petróleo afeta a economia americana de forma abrangente”, pontua.
Porter também analisa as declarações de Trump, que afirmou que os preços do petróleo, embora altos no curto prazo, seriam um “preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo”. No entanto, o autor observa que a alta nos combustíveis afetará diretamente diversos setores da economia, como o de transporte, alimentação e varejo. “Esses aumentos de custos não apenas afetam a inflação, mas também podem desacelerar a recuperação econômica, prejudicando a imagem de Trump”, diz ele.
Porter também comenta sobre a política externa de Trump e como ela tem sido impactada pela guerra. “O presidente Trump continua acreditando que pode alcançar a ‘rendição incondicional’ de Teerã, mas seus conselheiros em Washington já deveriam saber que, mesmo bombardeando o Irã até suas últimas capacidades, isso não levará a uma vitória rápida ou sustentável”, escreve o autor.
“A resistência iraniana é forte, e mesmo com sua infraestrutura destruída, o Irã ainda possui milhares de combatentes capazes de lutar”, completa.
Para o analista, os efeitos da guerra e seus desdobramentos econômicos têm o potencial de minar a popularidade de Trump, colocando sua reeleição em risco. A falta de apoio popular e os altos custos econômicos causados pela guerra podem resultar em um impacto negativo nas avaliações de Trump, que já se vê enfrentando resistência interna crescente.
“Portanto, o que parecia uma vitória fácil para Trump no começo, pode acabar se tornando um fardo insuportável, colocando seu futuro político em risco”, conclui Porter.