
A imprensa internacional tratou a vitória do presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) como um freio à guinada de extrema-direita na América Latina e uma derrota para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Reeleito no domingo (25), o petista garantiu o quarto mandato após reverter o resultado do primeiro turno.
Veículos estrangeiros também destacaram o caráter inédito da virada desde a redemocratização. A disputa apertada e a extensão da trajetória política do petista apareceram nas análises de jornais e redes de televisão dos Estados Unidos e da Europa.
A Associated Press definiu Lula como um “crítico de Trump”.

A CNN afirmou que o petista derrotou um “aliado de Trump” e manteve o Brasil à esquerda em uma região que tem elegido governos de direita.

O Washington Post avaliou que o resultado impediu a maior democracia latino-americana de aderir a essa tendência.

Já o Financial Times classificou a reeleição como um golpe nas pretensões de Trump de ampliar a influência dos Estados Unidos na região.

Veículos destacam disputa apertada e virada eleitoral
A BBC e o Financial Times descreveram a apuração como uma disputa voto a voto. O Wall Street Journal chamou o desfecho de surpresa e apontou que Lula prolonga uma das carreiras políticas mais duradouras da América Latina.

O espanhol El País classificou o resultado como uma “virada épica”, capaz de frear o avanço da extrema direita no Brasil e dar “um balão de oxigênio” à esquerda no mundo.

Para o New York Times, a vitória transmite um recado ao movimento de extrema-direita que conquistou presidências latino-americanas e recebeu apoio de Trump. O jornal apontou que o resultado interrompeu uma sequência de sete vitórias da direita na região em 18 meses.

O Le Monde afirmou que o Brasil não acompanhou a mudança à direita observada em países como Argentina, Chile e Colômbia. O jornal francês avaliou que Lula reduziu a desvantagem do primeiro turno ao atrair parte dos eleitores que haviam se abstido.

O argentino La Nación informou que a abstenção caiu para 19,21%, o menor índice em 20 anos. O diário também descreveu como “pouco conciliador” o discurso de Lula, que disse que o Brasil “não aceita ser o quintal de ninguém”, prometeu regular as redes sociais e chamou Flávio de “representante do milicianismo”.
