Como a investigação sobre a rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro pode ajudar a esclarecer o assassinato de Marielle Franco

Procurado: Adriano Magalhães da Nóbrega é acusado de chefiar grupo de matadores de aluguel Foto: Divulgação / Polícia Civil

Editorial da Folha de S. Paulo cita a ligação do gabinete de Flávio Bolsonaro com o miliciano suspeito de fazer parte da cadeia de comando que levou ao assassinato da vereadora Marielle Franco.

Tratando do caso Queiroz e da impossibilidade de Jair Bolsonaro se desvincular do caso Queiroz, o jornal escreveu:

“Até aqui, Queiroz era o alvo principal das investigações. A operação deflagrada a quanta-feira (18) moveu o foco sobre Flávio Bolsonaro, que poderia ter lavado com sua mulher R$ 638,4 mil do esquema por meio de imóveis.

Paralelamente, há a apuração sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, em 2018. Um dos suspeitos de ordenar o crime é um ex-policial, hoje foragido, cujas mãe e mulher foram contratadas por Queiroz como servidoras do gabinete.

Tais ligações nada provam, mas certamente tornam o ambiente político mais desconfortável para o presidente e sua família”, registrou.

O ex-policial em questão é o capitão Adriano da Nóbrega, que já foi do Bope e é apontado como chefe do Escritório do Crime, um núcleo controlado pela milícia que faz comércio da morte.

Adriano teve a prisão decretada no início do ano, por comandar a organização. Ele está foragido desde então.

Segundo o Ministério Público, a esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Nóbrega, repassou R$ 150 mil para Queiroz do dinheiro público que recebeu como servidora do gabinete.

Desse total, 115 mil foram para Queiroz através de contas diretamente ligadas a Adriano. Queiroz não ficava com o dinheiro. Repassava a Flávio.

Na verdade, não é possível saber se era devolução de recursos de salários, a chamada rachadinha, ou se era acerto do próprio Adriano com o esquema político que sustenta as milícias, que tinha no gabinete de Flávio Bolsonaro um de seus pilares.

O gabinete de Flávio Bolsonaro, como se sabe, era uma extensão do próprio mandado de deputado federal de Jair Bolsonaro.

Testemunhas dizem que era comum que ele despachasse na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro às sextas-feiras, quando retornava de Brasília.

Jair Bolsonaro e Flávio davam declarações em apoio a milícias e homenageavam milicianos, como o próprio Adriano. Flávio anunciou que tentaria regularizar legalmente a atuação delas.

“As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança? O Estado não tem capacidade para estar nas quase mil favelas do Rio. Dizem que as milícias cobram tarifas, mas eu conheço comunidades em que os trabalhadores fazem questão de pagar R$ 15 para não ter traficantes”, afirmou.

Em 2007, Flávio Bolsonaro votou contra a instalação da CPI das milícias.

A rachadinha, como se vê, pode ser um caminho para esclarecer outros crimes no Rio de Janeiro, não apenas o esquema corrupto de desvio de dinheiro público através da nomeação de funcionários de confiança.

O assassinato de Marielle pode ser um desses casos a serem esclarecidos.

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