Como a luta pelos direitos das mulheres se transformou em data comercial. Por Nathalí

Mulheres feministas se manifestando no Dia Internacional da Mulher. Foto: Agência Brasil

O oito de março, hoje chamado de Dia Internacional da Mulher, é, originalmente, o Dia Internacional da Luta pelos Direitos das Mulheres. Um dia para lembrarmos que nos queremos vivas, sãs e salvas.

Não foi a toa que as duas palavras mais importantes dessa denominação – luta e direitos – tenham sido suprimidas, dando lugar a um nome genérico que conduz à ideia de presentes e congratulação. O capitalismo, que engole tudo, engole também a nossa luta, e transforma esse dia de resistência numa bela oportunidade pra vender flores mortas e chocolates.

De pronto, é bom dizer: não há nenhum problema com as flores (afora o fato de que estão mortas e murcharão – dêem flores vivas!), com os presentes, com o chocolate. O problema é esquecer o verdadeiro propósito deste dia: combater os efeitos nocivos da cultura patriarcal na vida das mulheres.

O que pensam os que nos parabenizam hoje?

Se merecemos congratulações, é por estarmos vivas em um país com a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. A cada uma hora e meia, uma mulher morre no Brasil por causas violentas. A cada doze minutos, uma de nós é estuprada, e, por dia, são treze mulheres assassinadas.

Desculpem, mas não dá pra resolver isso com flores. A única maneira é o bom combate – e é por isso, só por isso, que este dia existe.

Querem homenagear as mulheres nesse oito de março? Parem de nos matar.

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