Como a passagem relâmpago de Vorcaro por prisão em SP causou tensão entre agentes e advogados

Atualizado em 8 de março de 2026 às 8:30
Vorcaro chegando ao IML. Foto: Reprodução/GloboNews

A passagem de menos de 24 horas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, teve um impacto significativo na rotina da unidade. Apesar de sua breve permanência, o banqueiro movimentou um esquema de segurança raro no sistema prisional paulista, gerando tensão entre policiais penais, advogados e outros presos. As medidas extraordinárias foram tomadas devido ao temor de possíveis atentados, levando a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) a adotar equipamentos e vigilância reforçada. As informações são de Lauro Jardim.

Segundo fontes da administração penitenciária, policiais penais que tiveram acesso ao pavilhão onde Vorcaro estava foram equipados com câmeras corporais e coletes à prova de bala, equipamentos que não fazem parte da rotina do presídio. Além disso, 20 novas câmeras de monitoramento foram instaladas no pavilhão, especificamente para acompanhar a movimentação do banqueiro. Esse tipo de segurança fora do comum gerou estranhamento entre os servidores, já que o uso de tais tecnologias é pouco frequentado nas unidades prisionais do estado.

O próprio diretor da unidade, Luciano José Pimenta, demonstrou grande apreensão com a presença de Vorcaro, e fontes internas indicam que a direção comemorou a autorização para a transferência do banqueiro para uma unidade federal em Brasília. Em paralelo, a presença de Vorcaro no local provocou agitação no setor de atendimento a advogados, que ficaram incomodados com o atendimento prioritário dado aos integrantes da defesa do banqueiro. Isso gerou uma série de reclamações entre outros profissionais que aguardavam para falar com seus clientes.

Penitenciária 2 de Potim, em São Paulo. Foto: Reprodução/Google Street View

A Polícia Penal, em nota oficial, minimizou o impacto da passagem de Vorcaro pela unidade, afirmando que a rotina do presídio não foi alterada. A instituição afirmou que as normas de segurança e disciplina foram cumpridas conforme exigido pela Lei de Execução Penal. No entanto, o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo ressaltou que o uso de câmeras corporais não faz parte das práticas usuais dentro das unidades, o que chamou ainda mais a atenção para o episódio.

Vorcaro foi preso novamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Ele chegou à Penitenciária II de Potim na quinta-feira, onde deveria cumprir o período padrão de isolamento, mas permaneceu na unidade por menos de 24 horas. Na madrugada de sexta-feira, ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, a mais segura do país, após decisão do ministro André Mendonça, do STF.

A transferência foi considerada necessária pela Polícia Federal devido à capacidade de Vorcaro de mobilizar redes de influência tanto no setor privado quanto no poder público, o que justificou a necessidade de um ambiente de segurança máxima. O episódio gerou um clima de incerteza no sistema prisional paulista, especialmente quanto à eficácia do controle das unidades e à prioridade dada à defesa de um dos presos mais influentes do país.

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