
Pressionado por parlamentares da oposição a autorizar a criação de uma comissão parlamentar para investigar o escândalo envolvendo o Banco Master, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem adotado sessões semipresenciais como estratégia para reduzir a pressão política no Congresso.
A medida, segundo o Globo, ajuda a evitar confrontos diretos no plenário e dificulta o avanço de pedidos para instalação da CPMI do banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Oficialmente, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmam que o formato híbrido foi adotado para permitir que deputados e senadores permaneçam em seus estados durante a chamada “janela partidária”, período em que parlamentares podem trocar de legenda sem risco de perda de mandato. A fase de reorganização política, importante para alianças eleitorais, se estende até 3 de abril.
Na prática, porém, a adoção das sessões semipresenciais tem esvaziado Brasília e diminuído a pressão direta sobre a presidência do Congresso para colocar em votação os requerimentos de criação da comissão de investigação. Parlamentares afirmam que Alcolumbre tem evitado reuniões com colegas e mantido agenda pública reduzida no Senado.
O presidente da Casa também enfrenta questionamentos relacionados ao caso. O fundo de pensão dos servidores do Amapá, o Amprev, aplicou cerca de R$ 400 milhões em letras financeiras do Banco Master em uma operação considerada irregular.
O investimento teria sido conduzido por um aliado político de Alcolumbre que hoje é alvo de investigação da Polícia Federal. O avanço de uma CPI sobre o tema poderia trazer desdobramentos políticos para o senador.

A disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após parlamentares recorrerem à Justiça para obrigar o Congresso a instalar a comissão. Os deputados Carlos Jordy (PL-RJ) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) apresentaram mandados de segurança pedindo que a Corte determine a criação do colegiado para investigar o banco.
Nos corredores do Congresso, parlamentares avaliam que o esvaziamento das sessões tem dificultado debates mais amplos sobre o caso.
O cenário político ficou ainda mais sensível após mudanças na relatoria das investigações no STF. Nos bastidores do Congresso, havia preferência para que o caso permanecesse com o ministro Dias Toffoli, considerado por parlamentares um magistrado de perfil mais político e conciliador.
No entanto, a relatoria passou para o ministro André Mendonça, visto por integrantes do Congresso como um juiz mais independente e rigoroso. A relação entre Alcolumbre e Mendonça também tem histórico de tensão: quando presidia a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o senador segurou por quatro meses a sabatina do ministro e atuou nos bastidores contra sua indicação ao Supremo em 2021.