Como Bad Bunny atropelou Trump e desestabilizou a extrema‑direita brasileira

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 11:15
Bad Bunny durante o Show do Intervalo no Superbowl. Foto: Morry Gash/AP

O show de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, realizado no último domingo (8), extrapolou o campo do entretenimento e ganhou contornos políticos que repercutiram diretamente na Casa Branca. A apresentação foi interpretada como uma afirmação contundente de identidade latina e um gesto de oposição simbólica ao presidente Donald Trump, em um momento de forte tensão política nos Estados Unidos. A repercussão foi tanta que abalou até os líderes da extrema-direita no Brasil.

Com referências explícitas à cultura porto-riquenha e à experiência de comunidades latinas, o espetáculo funcionou como um discurso visual e musical de resistência a políticas associadas à exclusão e ao endurecimento migratório.

Dados preliminares indicam que o show alcançou cerca de 135 milhões de espectadores, tornando-se o intervalo mais assistido da história do Super Bowl e ampliando de forma inédita o alcance da mensagem transmitida no palco.

Nos bastidores políticos, o impacto foi imediato, segundo Andréia Sadi, da GloboNews. Interlocutores da direita, inclusive no Brasil, avaliam que o episódio ocorre no momento mais delicado da atual gestão Trump desde o retorno do republicano ao poder. A leitura é de que a combinação entre o sucesso estrondoso da apresentação e a circulação, na mesma semana, de um vídeo com conteúdo racista associado ao presidente configurou um desgaste político significativo.

A situação se agravou após Trump criticar publicamente a performance do artista porto-riquenho. Para aliados e analistas, a reação presidencial acabou amplificando ainda mais a mensagem de Bad Bunny, transformando o embate cultural em um símbolo de resistência política com forte repercussão popular.

A avaliação é de que o presidente entrou em uma sequência de decisões erráticas, que têm dificultado o controle de danos junto a segmentos estratégicos do eleitorado.

O receio, compartilhado por aliados internacionais, é que esse desgaste tenha reflexos diretos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o fim do ano. A comunidade latina é vista como peça central nesse cenário eleitoral, e o show conseguiu mobilizar esse público de forma mais eficaz do que discursos tradicionais ou campanhas partidárias.

Para integrantes da direita brasileira que acompanham de perto o cenário estadunidense, o episódio serve como alerta. A leitura é de que a política do confronto permanente e falhas na comunicação simbólica podem isolar lideranças e abrir espaço para que ícones culturais se tornem instrumentos poderosos de contestação e mobilização política.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.