Como Bolsonaro, Guaidó tem um astrólogo de estimação que o considera o “Escolhido”, conta a revista New Yorker

Guaidó

O jornalista e escritor Jon Lee Anderson publicou na revista New Yorker um belo perfil de Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela.

Anderson passou alguns dias com Guaidó e traz uma informação especialmente curiosa: ele tem, como Bolsonaro, um astrólogo de estimação.

Identificado como “Davíd” — sem sobrenome — o sujeito é responsável, basicamente, por alimentar o ego de Guaidó com delírios megalomaníacos.

Cada um com o Olavo que merece:

Certa manhã de março, poucas semanas antes da revolta, Guaidó me levou com ele para Vargas, seu estado natal, na costa caribenha. Para a viagem, a uma hora de carro do apartamento de Guaidó, em Caracas, nos sentamos na parte de trás de um S.U.V. blindado. Um homem de óculos redondos sentou-se entre nós. Ele se apresentou como Davíd, o astrólogo do presidente.

Quando saímos, Davíd disse que esperava que não encontrássemos nenhum colectivo – grupos de bandidos paramilitares que andam em motos, atirando contra manifestantes anti-governo. Os colectivos, declarou ele, eram “a encarnação do mal” e “representantes do Diabo na Terra”. (…)

Longe da multidão, Davíd informou-me que Guaidó era descendente de Guaicaipuro, um chefe indígena do século XVI que lutara contra a conquista espanhola antes de ser emboscado e morto. Chávez havia ressuscitado Guaicaipuro como herói nacional, ordenando que seus restos fossem re-enterrados simbolicamente no Panteão Nacional. Vendo minha surpresa, Davíd explicou que todos os líderes da Venezuela eram as reencarnações dos predecessores.

Chávez queria ser Simón Bolívar, mas na verdade era Guaicaipuro, enquanto Guaidó era na maior parte Guaicaipuro, com um pouco de Tiuna, outro chefe indígena. Maduro, no entanto, era apenas “o eixo do mal”. Davíd explicou que “os cubanos” – o suposto time de conselheiros secretos de Maduro – haviam praticado as “artes das trevas” da santería para levar Maduro ao mal.

“A Venezuela está destinada a ser o melhor país da região e, depois de uma guerra mundial, que está acontecendo agora, receberá muitas pessoas de todo o mundo”, disse ele. “Para estar pronta, no entanto, deve ser libertada.” Guaidó traria essa libertação, ele afirmou: “Eu o conheci em dezembro e disse a ele: ‘Você é o Escolhido'”. (…)

A questão das intenções dos Estados Unidos pairava sobre a crise na Venezuela, mas Guaidó admitiu estar confuso com a política americana. Em Vargas, ele me pegou de lado para perguntar sobre as eleições de 2020. Ele notou que Bernie Sanders havia anunciado sua intenção de concorrer, mas sabia pouco sobre Beto O’Rourke.

Questionado sobre Alexandria Ocasio-Cortez durante uma entrevista recente da Fox Business, ficou sem resposta. Ele a procurou no Google depois e me disse, rindo, que ela não parecia tão radical: “O que eles chamam de socialista nos Estados Unidos é o que chamamos de social-democrata aqui”.

Davíd me interrompeu para dizer que tinha “lido as cartas” e que Trump provavelmente ganharia a reeleição, mas que isso dependia da libertação da Venezuela. Ele acrescentou que Trump tinha um “problema kármico”, porque ele “não sabia como se expressar”, mas que ele foi bem sucedido apesar de suas limitações. “Ele é como Maxwell Smart”, disse Davíd – o espião atrapalhado da sitcom dos anos 60 [o agente 86]. “Tudo o que ele faz está errado, mas acaba bem no final.” 

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