Como Campos Neto rejeitou e depois aprovou a compra de banco por Vorcaro

Atualizado em 15 de abril de 2026 às 15:24
O ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto

O Banco Central, sob a gestão de Roberto Campos Neto, autorizou Daniel Vorcaro a assumir o controle do Banco Máxima, instituição que deu origem ao Banco Master, em 14 de outubro de 2019. Com informações da Folha de S. Paulo.

Essa autorização ocorreu após o BC, que havia negado a operação oito meses antes, durante a gestão de Ilan Goldfajn, considerar que o empresário demonstrou capacidade econômica suficiente para se tornar acionista controlador e comprovou a origem dos recursos necessários.

A primeira tentativa de Vorcaro, em 2017, foi rejeitada devido a falhas no processo, principalmente a falta de clareza sobre a origem dos recursos, o que levantou suspeitas entre os técnicos do BC.

Naquele momento, a equipe de fiscalização identificou irregularidades, principalmente quanto à utilização de uma empresa dele, a Viking Participações, que possuía ativos questionáveis, como aeronaves e terrenos. Além disso, havia o risco de que o próprio Banco Máxima estivesse financiando a operação.

Essa recusa foi registrada como um dos pontos de desacordo entre as autoridades reguladoras. Durante o processo, Vorcaro tentou corrigir falhas, incluindo a apresentação de novos documentos e balanços auditados, mas ainda assim não conseguiu convencer o BC a aprovar a operação em sua primeira tentativa.

A justificativa para a negativa foi de que não havia comprovação suficiente sobre a origem do capital e os antecedentes dele. Entretanto, após apresentar novas propostas e ajustes em sua documentação, ele conseguiu superar as dificuldades.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Divulgação

Em abril de 2019, ele fez uma nova tentativa, agora acompanhado de outros acionistas, e apresentou uma documentação mais robusta, incluindo balanços auditados da Viking Participações e novos investimentos em letras financeiras subordinadas.

Esse ajuste foi suficiente para que o BC considerasse que ele cumpriu os requisitos econômicos necessários para controlar o banco. Apesar de o BC avaliar positivamente a documentação financeira e a capacidade econômica de Vorcaro, o processo foi cercado de polêmicas internas.

Na cúpula do BC, havia suspeitas sobre a reputação do bancário e o caráter da operação, com algumas vozes defendendo uma análise mais rigorosa. No entanto, os requisitos objetivos de capacidade técnica e econômica foram atendidos, o que levou à aprovação final, com a decisão sendo tomada por unanimidade na diretoria colegiada.

O Máxima, que estava enfrentando dificuldades financeiras, precisou ser socorrido, e a compra feita por Vorcaro foi vista como uma solução para evitar sua liquidação. A operação, portanto, não foi apenas uma transação financeira, mas também uma resposta a uma crise no mercado bancário.

Essa solução de mercado foi apoiada por alguns setores, apesar das críticas sobre os métodos dele e as dificuldades passadas. Além disso, o processo de análise do BC foi acompanhado de perto por diversas figuras chave dentro da instituição, incluindo o diretor de Fiscalização, Paulo Sérgio Neves de Souza.

Ele foi alvo de investigação pela Polícia Federal, suspeito de ter ajudado Vorcaro com consultoria informal, o que levantou ainda mais dúvidas sobre a transparência da operação. No entanto, ele sempre negou qualquer envolvimento indevido. Após a autorização de Campos Neto, ele assumiu o controle do Banco Máxima e transformou a instituição em parte do Banco Master.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.