Como caso de mafioso pode afetar delação de Vorcaro

Atualizado em 12 de maio de 2026 às 12:07
O mafioso Vincenzo Pasquino. Foto: Reprodução

O caso de Vincenzo Pasquino, mafioso italiano que delatou a colaboração entre a ‘Ndrangheta e o PCC para o tráfico de drogas, se tornou uma peça chave nas investigações de organizações criminosas internacionais e pode afetar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo a coluna de Marcelo Godoy no Estadão. Sua colaboração foi inicialmente recebida com ceticismo, mas as provas contundentes, como mensagens do aplicativo SKY ECC, ajudaram a fortalecer a credibilidade de suas declarações.

Um ano após seu início, as operações Samba e Conexão Paraíba foram deflagradas, expondo a extensão do envolvimento do mafioso no esquema de tráfico. As revelações de Pasquino incluíram nomes de envolvidos, detalhamento sobre a operação de remessas de cocaína e os responsáveis pelo tráfico entre Brasil e Itália.

Sua delação contribuiu para desmantelar uma rede que operava em larga escala e ajudou a identificar Demétrio Batista de Oliveira, o Pateta ou Fantasma, como um dos maiores narcotraficantes da América do Sul, além de fortalecer o caso contra outros membros da ‘Ndrangheta e o PCC.

A colaboração de Pasquino foi aceita pelo procurador-chefe Giovanni Bombardieri, da Direção Distrital Antimáfia (DDA) de Turim, e ele foi condenado a 10 anos de prisão, com sua delação sendo reconhecida como atenuante.

A comparação com os empresários envolvidos no esquema Carbono Oculto, como Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, expõe as falhas nas delações dos empresários, que não entregaram informações relevantes e omitiram conexões com o PCC e políticos envolvidos.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na prisão. Foto: Reprodução

A diferença entre a delação de Pasquino e as tentativas de delação dos empresários ligados à Carbono Oculto é clara. Enquanto Pasquino forneceu detalhes cruciais sobre a rede de tráfico e seus operadores, os empresários omitiam informações importantes, como esquemas de lavagem de dinheiro e conexões políticas, o que levou os promotores a recusarem seus acordos.

Pasquino também revelou detalhes de sua atuação na ‘Ndrangheta, incluindo os mafiosos que o ajudaram a ascender dentro da organização e como ele foi escolhido para articular o consórcio com o PCC. Sua delação foi uma das mais abrangentes e detalhadas já registradas, o que justificou sua aceitação pelas autoridades italianas.

A colaboração foi vital para fortalecer o caso contra o narcotraficante Demétrio Batista de Oliveira e outros envolvidos no tráfico internacional de drogas. A experiência de Pasquino também serve como uma lição para o caso de Vorcaro.

Para que Vorcaro tenha uma chance de reduzir sua pena, ele precisará seguir o exemplo de Pasquino e fornecer informações detalhadas sobre a operação criminosa. Caso contrário, sua delação poderá ser vista como uma tentativa de proteger os próprios interesses, sem oferecer contribuição para as investigações.

Assim como Pasquino, Vorcaro está no topo da hierarquia e tem mais informações a revelar sobre os esquemas criminosos.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.