Como Eliane Cantanhêde causou pânico e terror com mau jornalismo sobre vacina e febre amarela

Eliane Cantanhêde. Foto: Reprodução/YouTube

A recente presepada da Folha com uma matéria irresponsável sobre “vacinas vencidas” tem um antecedente ilustre.

Em 9 de janeiro de 2008, Eliane Cantanhêde, então colunista do jornal dos Frias, escreveu um texto estúpido, porém com endereço certo, que provocou uma histeria coletiva. 

“Vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem”, dizia.

No pior estilo tia do zap, Cantanhêde contava o causo da morte de “um homem de 38 anos em Brasília, plena capital da República, com febre alta, dores musculares, náuseas e vômitos. Possivelmente, foi vítima da doença. O alerta nem é mais amarelo, já é vermelho”.

O alarmismo ao recomendar que todo mundo se imunizasse permeava todo o artigo, sem qualquer ponderação sobre grupos de risco, por exemplo.

Pessoas tomaram superdoses para se proteger de uma moléstia erradicada em áreas urbanas do Brasil desde 1942.

Tucana eterna, com uma escorregada lavajatista nos últimos anos, Eliane tinha alvo: o governo Lula. “Por que a turma do Planalto se vacinou?”, questionava, enigmática.

Esse lixo, que nunca mereceu um Erramos (ao contrário da patacoada desta semana), terminava com uma admoestação: “Vacine-se logo! Senão, Lula, o Aedes Aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano – e nos seguintes.”

Diante da repercussão negativa, ela voltou ao tema reclamando da “censura”, se vitimizando e comparando às críticas merecidas ao que a ditadura fez no surto de meningite — o pacote completo da picaretagem.

O alarmismo teve resultados mortais. Uma pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP denominou a coisa de “epidemia midiática”.

Dados do Ministério da Saúde mostravam que o Brasil distribuía, em média, entre 15 e 16 milhões de dose da vacina contra febre amarela ao longo de 12 meses.

Naquele verão, em 40 dias, o governo distribuiu mais de 13 milhões de doses e a exportação foi suspensa.

Sete mortes pela doença foram registradas — e seis brasileiros faleceram por reação adversa grave à vacina que gente como Eliane Cantanhêde mandou tomar.

Fake news não é uma invenção de Trump ou Bolsonaro. Mau jornalismo mata.

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