Como Epstein usava bolsas de estudo para atrair e controlar jovens

Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 14:00
O empresário Jeffrey Epstein. Foto: Divulgação

Uma investigação publicada pelo jornal britânico ‘The Guardian’ revelou que Jeffrey Epstein usava promessas de acesso à universidade como ferramenta para atrair, controlar e manter jovens mulheres sob sua influência. Segundo o relato, a oferta de bolsas de estudo fazia parte de um método estruturado de exploração sexual e dependência financeira.

De acordo com a reportagem, ele se apresentava como filantropo e oferecia pagar integralmente os estudos de jovens em instituições de prestígio. O objetivo era criar uma relação de controle. Em vários casos, o financiamento educacional era usado como moeda de troca para exigir favores, com ameaças explícitas de cortar a ajuda caso as contrapartidas fossem recusadas.

Uma das sobreviventes citadas é Rina Oh, que afirmou ter conhecido Epstein aos 21 anos. Ela relatou que o financista se ofereceu para custear seus estudos na Escola de Artes Visuais de Nova York, prometendo acesso a oportunidades profissionais e acadêmicas.

Segundo seu depoimento, o apoio financeiro vinha acompanhado de pressões constantes e expectativas implícitas. Epstein, segundo os relatos, não agia sozinho. Ele contava com o auxílio de Ghislaine Maxwell, que ajudava a ampliar a rede de jovens mulheres recrutadas. O padrão incluía o uso de bolsas, ajuda financeira e promessas de inserção em círculos acadêmicos e profissionais para manter as vítimas em situação de vulnerabilidade.

Universidades como a Universidade de Nova York e a Universidade Columbia foram citadas na reportagem como instituições onde bolsas e auxílios teriam sido utilizados nesse esquema. Para as sobreviventes, a associação entre educação e ajuda financeira era parte central da manipulação psicológica exercida por Epstein.

“Ele queria infiltrar a mente dos jovens, não apenas abusar fisicamente deles”, afirmou Rina Oh. Em outro trecho do depoimento, ela reforça a lógica de posse adotada pelo financista: “Ele queria colecionar essas pessoas para poder possuí-las. Ele tinha toda essa coisa de ser proprietário. Nada com Epstein veio de graça.”

Rina Oh. Foto: Divulgação

Documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que esse método começou a ser utilizado ainda na década de 1990. Segundo o jornal britânico, Epstein direcionava bolsas especialmente a jovens artistas e estudantes, o que demonstra a longevidade e o grau de organização do esquema de exploração.

Diante das revelações, o congressista Jamie Raskin, integrante do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA, enviou cartas a diversas universidades solicitando informações sobre eventuais vínculos com Epstein. Ele afirmou que o financista usava doações e promessas educacionais para sustentar e ocultar sua rede de abusos.

As instituições mencionadas informaram que estão analisando os pedidos e declararam apoio às investigações. A apuração também busca esclarecer o papel de pessoas próximas a Epstein, como seu advogado Darren Indyke e o contador Richard Kahn, responsáveis por administrar pagamentos e bolsas.

Após a morte dele, em 2019, vieram à tona conexões com outras instituições acadêmicas de prestígio, como Universidade Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Dirigentes dessas entidades mantiveram contato com ele mesmo depois da condenação de 2008 por crimes sexuais.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.