Como está o placar no Senado para aprovação de Jorge Messias ao STF

Atualizado em 2 de abril de 2026 às 7:29
Jorge Messias, ministro da AGU. Foto: José Cruz/ABr

O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ampliou o número de apoios no Senado para sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda não tem os votos necessários para garantir aprovação na Comissão de Constituição e Justiça, segundo o Globo.

Levantamento mostra que o AGU já reúne ao menos dez votos favoráveis no colegiado, concentrados entre parlamentares da base governista e em setores do MDB e do PSD, mas o placar ainda está abaixo dos 14 votos exigidos para aprovar seu nome na comissão. O quadro mantém a disputa em aberto e reforça que a articulação política do governo ainda precisará avançar nas próximas semanas.

A indicação de Messias foi anunciada pelo presidente Lula (PT) ainda em novembro, para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, mas o envio formal da mensagem presidencial ao Senado só ocorreu agora.

A demora foi interpretada como uma estratégia do Palácio do Planalto para ganhar tempo diante da resistência de parte do Congresso, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da cúpula da Casa, que preferiam o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga no Supremo. Desde então, a relação entre Alcolumbre e o Planalto passou por um período de distanciamento, o que pesou diretamente no ritmo das negociações.

O avanço de Messias em relação ao cenário anterior, porém, é evidente. Em levantamento feito em novembro do ano passado, apenas três senadores declaravam apoio ao chefe da AGU, enquanto quatro se posicionavam contra.

Lula e Jorge Messias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agora, ele já conta com uma largada melhor, embora ainda insuficiente para garantir tranquilidade. Seis parlamentares já declararam voto contrário, e outros 11 preferiram não assumir posição pública. É justamente nesse grupo de indecisos e silenciosos que o governo aposta para tentar construir a maioria necessária.

Entre os nomes que ainda não se manifestaram estão Vanderlan Cardoso, Veneziano Vital do Rêgo, Sergio Moro, Alan Rick, Oriovisto Guimarães, Omar Aziz, Cid Gomes e Marcos Rogério. Rodrigo Pacheco também segue sem declarar voto. Nos bastidores, senadores relatam que parte dessa cautela está ligada ao desconforto com a escolha feita por Lula e à influência política de Alcolumbre sobre integrantes da comissão. O grupo é visto como decisivo para o desfecho da indicação.

Do lado da oposição, a resistência aparece mais consolidada. Senadores do PL, do Novo e do Republicanos já indicaram rejeição ao nome de Messias. Entre eles estão Eduardo Girão, Carlos Portinho, Magno Malta, Rogério Marinho e Hamilton Mourão.

“Vou votar contra. Não voto no Messias. Publicamente vou questioná-lo, na sabatina, e dizer todos os motivos que o impossibilitam de assumir o STF”, afirmou Rogério Marinho. Mourão, por sua vez, declarou que o atual chefe da AGU “não tem notório saber”, requisito constitucional para o cargo.

No campo favorável, Messias conta com apoio de senadores como Eduardo Braga, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Eliziane Gama, Ciro Nogueira e Soraya Thronicke.

“Conheço Messias há muito tempo, conheço a origem. Ele nasceu em Pernambuco, mas foi criado a vida inteira no Piauí. Está habilitado. Gostaria que fosse Bolsonaro indicando os ministros, mas o povo deu esse direito a Lula. Vou votar favoravelmente porque acho capacitado e de bem”, disse Ciro.

A tendência agora é que o governo use o prazo até a sabatina para tentar reduzir resistências e consolidar votos, antes da etapa decisiva na CCJ e depois no plenário do Senado.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.