Como injeções de ácido no pênis entraram no debate dos Jogos de Inverno

Atualizado em 6 de fevereiro de 2026 às 20:52
Seringa e pote com substância
Imagem ilustrativa – Reprodução

A Agência Mundial Antidoping (Wada) afirmou que pode investigar, caso surjam evidências, as alegações de que atletas do salto de esqui estariam injetando ácido hialurônico no pênis com o objetivo de obter vantagem competitiva. Com informações do g1.

A informação foi divulgada em janeiro pelo jornal alemão Bild, que relatou que alguns saltadores fariam o procedimento antes das medições oficiais dos trajes. O ácido hialurônico, substância permitida no esporte, pode aumentar a circunferência do pênis em até dois centímetros.

Segundo a Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), um aumento na área de superfície do traje pode interferir no desempenho aerodinâmico. “Cada centímetro extra em um traje conta. Se o traje tiver uma área de superfície 5% maior, o atleta voa mais longe”, afirmou Sandro Pertile, diretor de provas masculinas da modalidade.

Durante entrevista coletiva nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, o diretor-geral da Wada, Olivier Niggli, disse não ter conhecimento prévio do caso. Segundo ele, a agência só atua quando há relação direta com doping. Já o presidente da Wada, Witold Banka, comentou o tema de forma descontraída e disse que analisaria a questão.

À BBC Sport, o diretor de comunicação da FIS, Bruno Sassi, declarou que não existe qualquer indicação ou evidência de que atletas tenham recorrido a injeções de ácido hialurônico para obter vantagem esportiva.

Esquiador no momento de “voo”, em que o aumento da indumentária seria vantajoso esportivamente. Reprodução

Antes de cada temporada, atletas do salto de esqui passam por medições com scanners corporais 3D, usando apenas roupa íntima elástica e justa. As regras permitem tolerância de apenas 2 a 4 centímetros nos trajes. A altura da virilha também é medida e deve corresponder à do atleta, com acréscimo máximo de três centímetros para homens.

O ácido hialurônico aplicado no pênis pode ter efeito por até 18 meses. A modalidade já registrou outros casos de tentativas de manipulação de trajes. Em agosto, os noruegueses Marius Lindvik e Johann Andre Forfang foram suspensos por três meses após adulteração de uniformes no Mundial de Esqui de Trondheim, em março, segundo a FIS.

As Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 ocorrem entre sexta-feira (6) e 22 de fevereiro. O salto de esqui estreia na segunda-feira (9). O Brasil participa da competição pela décima vez, com 15 atletas em cinco modalidades e busca medalha inédita.

O ácido hialurônico é um polímero capaz de reter água e é amplamente usado em procedimentos estéticos. Segundo especialistas, o preenchimento peniano pode gerar aumento médio de 1,5 a 2 centímetros de circunferência, podendo chegar a até 4 centímetros, dependendo da técnica e da quantidade aplicada. Como a substância é absorvida pelo corpo, o procedimento exige reaplicações periódicas.

Urologistas e cirurgiões plásticos alertam que, embora seja considerado de baixa complexidade quando feito por profissionais qualificados, o procedimento apresenta riscos quando realizado de forma inadequada. A aplicação incorreta pode causar desde ausência de efeito até complicações graves, como necrose ou embolia, com risco à vida.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.