Como líderes partidários reagiram ao veto de Lula a supersalários

Atualizado em 18 de fevereiro de 2026 às 17:05
O presidente Lula. Foto: Divulgação

O presidente Lula vetou trechos de projetos que reestruturavam carreiras e ampliavam mecanismos de compensação para servidores do Legislativo e do Tribunal de Contas da União. A decisão atingiu dispositivos que poderiam permitir pagamentos acima do teto do funcionalismo e, até o momento, reduziu a mobilização no Congresso para tentar derrubar o veto.

O pacote havia sido aprovado pela Câmara há duas semanas e previa reajustes salariais, escalonamento até 2029, licença compensatória e possibilidade de pagamentos retroativos. Lula sancionou o aumento previsto para 2026, mas barrou o escalonamento, a licença com conversão em dinheiro e mudanças no cálculo previdenciário.

A licença compensatória autorizava o acúmulo de um dia de folga a cada três trabalhados, com possibilidade de indenização sem incidência de Imposto de Renda. Na prática, a medida poderia levar parte dos servidores a superar o teto do funcionalismo, hoje fixado em R$ 46.366,19.

No Senado, o líder do MDB, Eduardo Braga, apoiou a decisão. “Acho correto não ter extrateto em todos os Poderes. Se depender do meu voto e do meu apoio, será mantido.”

Na Câmara, o líder do PDT, Mário Heringer, afirmou: “Acho que Lula fez certíssimo. O da Câmara, sem brincadeira, eu acho que é o menos agressivo e mais racional. Agora os outros são vergonhosos. É três pra um: trabalha três dias, fica um à toa. Isso é difícil você engolir.”

O líder do PDT, Mário Heringer. Foto: Divulgação

O deputado Pedro Paulo, do PSD, também indicou tendência de manutenção do veto. “Acredito que a tendência é manter o veto. A repercussão será grande e negativa se o Congresso repetir o erro.” Os três parlamentares integram a base governista.

Na oposição, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirmou: “Estou focado na derrubada do veto da redução de penas (dos condenados pelo 8 de Janeiro). Esse assunto dos servidores é da Mesa da Câmara.” O relator da proposta, Alberto Fraga, declarou: “Acho que é um assunto para os presidentes da Câmara e do Senado. No entanto, acho que é mais uma desmoralização do Congresso. Tenho certeza de que, se os presidentes quiserem, derrubaremos o veto.”

O cenário também é influenciado por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a suspensão de pagamentos que ultrapassem o teto sob a forma de verbas indenizatórias sem base legal específica.

O deputado Claudio Cajado afirmou: “Já era esperado, desde quando o ministro Dino tomou a decisão sobre esse tema. Acho que o Congresso só derruba se o ministro rever a decisão.” Já a senadora Damares Alves avaliou que eventual revisão do teto deveria alcançar todos os Poderes, mas reconheceu que “Em ano eleitoral, parlamentares não querem pagar desgastes”.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.