
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o cargo na próxima semana para preparar sua candidatura ao governo do estado de São Paulo. A decisão ocorreu após conversas com o presidente Lula, que vinha defendendo o nome do ministro para representar o PT nas eleições para governador deste ano.
Interlocutores do governo ouvidos pela revista Veja afirmam que Haddad relutou inicialmente em aceitar a proposta. Ele argumentava que preferia atuar na coordenação da campanha de Lula à reeleição, mantendo-se na equipe econômica. Ainda assim, o presidente insistiu na necessidade de um nome competitivo no maior colégio eleitoral do país.
Nos últimos meses, Lula avaliou diferentes alternativas para a eleição paulista, mas sempre indicou o ministro como o principal nome para representar o campo governista. O objetivo seria fortalecer o palanque estadual e ampliar o apoio político ao projeto de reeleição presidencial.
Com a provável saída de Haddad da Fazenda, a tendência é que o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, assuma o comando do ministério. Ele é considerado o principal favorito para substituir o ministro na condução da política econômica.

A decisão final teria sido influenciada por pesquisas recentes que apontam um cenário competitivo na eleição presidencial. Levantamentos indicam a possibilidade de um confronto direto entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno em 2026.
Esse cenário reforçou, segundo aliados, a avaliação de que o petista precisaria de um palanque sólido em São Paulo para sustentar sua campanha nacional. O estado é o maior colégio eleitoral do país e tem papel decisivo nas disputas presidenciais.
Durante conversa recente, Haddad ouviu do presidente que sua presença na disputa paulista seria fundamental para fortalecer a base política do governo. Lula teria afirmado que precisava do ministro para liderar uma candidatura competitiva no estado.
Diante desse quadro, aliados indicam que Haddad passou a considerar a candidatura como parte da estratégia política do governo federal. A avaliação é de que a disputa pelo governo paulista pode contribuir para ampliar o apoio eleitoral ao projeto de reeleição dele.