Como nos tornamos estúpidos. Por Fernando Brito

Luciano Hang: Aglomeração em tempos bolsonaristas com pandemia de coronavírus. Foto: Reprodução/Tijolaço

Publicado originalmente no blog Tijolaço

POR FERNANDO BRITO

Duas imagens destes dias mergulham em tristeza o domingo do autor.

A multidão insana espremida na inauguração da loja da Havan em Belém, sob a batuta de um idiota vestido de pateta e a “muvuca” da porta das boates da Barra da Tijuca.

Caro que o risco sanitário é o mais grave, num olhar imediato e raso, por isso estar acontecendo no momento em que o Brasil chega a 150 mil mortos, a terceira maior taxa do mundo, mas há ali mais para ver.

O processo de idiotização da sociedade vai muito além de ter sido eleito um personagem como Jair Bolsonaro para a presidência e toma ares de um hedonismo consumista absolutamente ensandecido.

Claro que o exemplo da insanidade presidencial influi, mas seria injusto, mesmo para com ele, dizer que é o único fator desta loucura coletiva.

O mundo se tornou volátil em tudo, de telefones a vidas, tudo é descartável.

Pessoas, inclusive.

Para quê? Para curtir uma noite de balada, comprar uma porcaria qualquer, sem sentido…

Não é uma multidão de miseráveis, avançando sobre a comida de um caminhão tombado. É gente que tem todas as condições de pensar, de refrear-se, de ser prudente.

Não são a maioria, é verdade, e o demonstra o resultado de pesquisas publicadas hoje, pelo Datafolha.

Mais são muito e, pior, arriscam a vidas dos que permanecem sãos, inclusive mentalmente.

Destruir a política foi um processo muito fácil quando já se vinha destruindo o conceito de coletividade, de sociedade.

O resultado é este: a democratização da estupidez.

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