Como o Banco Master gerou prejuízos bilionários para os fundos de previdência municipais

Atualizado em 5 de abril de 2026 às 15:20
Banco Master
Banco Master – Reprodução

Os fundos de previdência de 15 cidades brasileiras investiram um total de R$ 447,5 milhões nas letras financeiras do Banco Master, de acordo com levantamento realizado pelo Ministério da Previdência Social. Esse tipo de investimento, que envolve a troca de recursos por uma remuneração com juros, não conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que aumenta os riscos de perdas para os municípios.

Dessas 15 cidades, 5 apresentam déficits em seus fundos de previdência, ou seja, os investimentos não são suficientes para garantir o pagamento das aposentadorias. O município com o maior déficit é Maceió (AL), com um rombo de R$ 299,4 milhões. O fundo de previdência de Maceió aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master, o maior volume entre os municípios. Além de Maceió, apresentam déficit os fundos de Campo Grande (MS), Araras (SP), Santa Rita d’Oeste (SP) e Paulista (PE). Informações de PODER360.

As cidades que Investiram no Banco Master – Fonte: Cadprev e Ministério da Previdência Social

Por outro lado, outros municípios que também investiram no Banco Master não estão com seus fundos deficitários. As cidades de Angélica (MS), Aparecida de Goiânia (GO), Fátima do Sul (MS), Jateí (MS), São Gabriel do Oeste (MS), Cajamar (SP), Santo Antônio da Posse (SP), São Roque (SP), Congonhas (MG) e Itaguaí (RJ) conseguiram manter seus fundos em equilíbrio, apesar dos investimentos na instituição financeira.

O governo federal afirmou que, caso ocorram perdas nos fundos de previdência, os Estados e municípios serão responsáveis por cobrir os rombos. Em caso de liquidação do Banco Master, como aconteceu com outras instituições, se os recursos acumulados não forem suficientes para pagar as aposentadorias, os entes públicos terão que arcar com as obrigações.

As letras financeiras são uma modalidade de investimento sem a cobertura do FGC, o que significa que, mesmo em situações de perda, a proteção é limitada a R$ 250 mil por instituição financeira. No caso do Banco Master, o risco de perdas recai diretamente sobre os cofres públicos, uma vez que os investimentos foram feitos por fundos de previdência municipais.

O Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro, foi responsável pelo maior rombo bancário da história do Brasil, com R$ 51,8 bilhões. Esse valor inclui também a liquidação de outras instituições financeiras, como o Will Bank e o Banco Pleno, que somam, juntas, mais de R$ 140 bilhões em prejuízos, com o Banco Master representando mais de 1/3 desse total.

fonte: dados do Banco Central atualizados pelo IPCA da data da liquidação até fevereiro