
A movimentação partidária ganhou força antes mesmo da abertura oficial da janela eleitoral, marcada para 6 de março. Deputados federais e estaduais, senadores e prefeitos do Centrão já iniciaram trocas de legenda, alterando a correlação de forças no Congresso e nos estados. PSD, Republicanos, Podemos e PP lideram o avanço, enquanto PL e PT encontram mais dificuldades para ampliar bancadas.
Na Câmara dos Deputados, o PSD foi o partido que mais cresceu desde 2023, passando de 42 para 47 parlamentares. Republicanos e Podemos aparecem na sequência, com quatro cadeiras adicionais cada. A reorganização ocorre em meio à disputa por posições estratégicas para as eleições de 2026.
Para o cientista político Rodrigo Prando, do Mackenzie, o crescimento das siglas associadas ao centrão está ligado à flexibilidade ideológica. “Quem é do chamado centrão consegue ser base de qualquer grupo político, à esquerda ou à direita. Já quem se filia a partidos com delineamento ideológico muito claro, como PT e PL, a margem de manobra é menor”, afirmou.
Sob comando de Gilberto Kassab, o PSD intensificou a filiação de lideranças regionais. Em São Paulo, incorporou sete deputados estaduais do PSDB e um do Cidadania. No Rio Grande do Sul, atraiu 31 prefeitos após a ida do governador Eduardo Leite para a legenda. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra também tem atuado como vitrine política.

Durante ato de filiação do prefeito Padre Joselito, de Gravatá, Raquel declarou: “Política também se faz com coragem para dar novos passos e com a certeza de que ninguém constrói nada sozinho. Seguiremos ampliando um movimento que cresce, agrega e prepara Pernambuco para um futuro ainda mais forte.”
O PSD já comanda 76 das 185 prefeituras do estado. O Republicanos também ampliou espaço, impulsionado pela influência do presidente da Câmara, Hugo Motta, e da senadora Damares Alves (DF). No Senado, o PL soma 15 cadeiras e supera o PSD, que tem 14, embora tenha perdido deputados na Câmara desde 2022.
A disputa por vagas ao Senado em São Paulo pode provocar novas mudanças. Marina Silva (Rede) recebeu convites de PT, PSB e PSOL, enquanto Simone Tebet (MDB) é aguardada pelo PSB. O PSDB reagiu às perdas e classificou o movimento como “canibalismo” dentro da base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Esse tipo de ‘canibalismo’ dentro da base do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em nada ajuda na construção de um projeto nacional de centro”, afirmou Paulo Serra, dirigente tucano. Ele acrescentou: “PSD é base do governo Lula” e sustenta que a escolha pode ser explorada na campanha. A janela partidária permitirá trocas sem risco de perda de mandato para deputados, mantendo o cenário em aberto até o prazo final.