Como o Maranhão se tornou o estado com menor mortalidade por covid-19 no país. Por Mariana Castro

Publicado originalmente no Brasil de Fato

Por Mariana Castro

Arraiás de Vacinação, uma invenção do estado do Maranhão que começou na capital e se espalha pelo interior – Reprodução

Manchete nacional no combate à pandemia em razão do avanço na vacinação e operações como o “Arraial da Vacinação” e outras semelhantes, o estado do Maranhão é a unidade federativa que mais chama a atenção por um motivo concreto e objetivo: é o estado com a menor taxa de mortalidade por covid-19 do país.

Segundo as informações oficiais, atualizadas em 17 de junho de 2021, o Maranhão tem 121 mortos a cada 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é quase o dobro, com cerca de 234. Em piores condições estão Roraima, com 333, Mato Grosso, com 325 e Amazonas, com média de 318.

Em artigo publicado na imprensa, o governador maranhense, Flávio Dino (PCdoB), destaca os esforços que, segundo ele, levaram a esse índice. As medidas vão além dos investimentos na área saúde, como a abertura em massa de leitos hospitalares, e passam por investimentos em programas sociais de distribuição de renda e serviços às famílias mais vulneráveis.

O Maranhão é o estado onde mais brasileiros vivem em extrema pobreza, segundo dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). A estimativa é que 1,4 milhão de pessoas viviam nessa situação naquele período, índices certamente agravados em razão da pandemia.

Com baixo acesso à rede hospitalar, famílias com condições mínimas ou até inexistentes de higiene e cumprimento das recomendações de prevenção ao vírus, o secretário estadual de Saúde, Carlos Lula, que também é Presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), explica que todos os estudos apontavam que o estado teria o pior desempenho no combate à pandemia, o que reforçou a necessidade de esforços desde o início.

“Todos os estudos apontavam que, pelo contrário, o Maranhão deveria ser um dos piores estados do país no enfrentamento à Covid-19, porque tinha uma estrutura hospitalar muito pequena diante do número de casos que tivemos, logo no início, no país. Mas a gente demonstrou o contrário, aumentamos nossa rede, tomamos medida de distanciamento no momento adequado e sempre respeitamos a ciência”, explica Lula.

Desde o início da pandemia, o valor do botijão de gás aumentou cinco vezes mais do que a inflação, ultrapassando o valor de R$ 100 em algumas regiões e levando famílias vulneráveis ao uso de lenha ou carvão. Nesse contexto, o programa social Vale Gás oferece até 3 vales para a recarga de botijão de 13 kg às famílias assistidas pelo CadÚnico.

“Com mais um aumento no gás de cozinha, o décimo quarto nos últimos anos, ele, que já estava pesando no orçamento das famílias, se tornou ainda mais caro. Por isso, nesse momento tão difícil, estamos entregando o Vale Gás para 119 mil famílias em situação de vulnerabilidade, em todo o estado do Maranhão”, explica o secretário de Desenvolvimento Social (​Sedes), Márcio Honaiser.

Outro fator preocupante, causado pelo sucateamento de políticas de segurança alimentar e agravado pela pandemia, foi o acesso à alimentação. De volta ao mapa da fome, a estimativa é que 1 a cada 4 brasileiros tenha ficado sem comida em algum momento da pandemia.

A fim de combater esses índices, o Secretário de Estado da Agricultura Familiar, Rodrigo Lado, explica a criação do programa Comida na Mesa, que atua por meio de duas frentes. De um lado, a compra de produtos da agricultura familiar, garantindo renda às famílias, de outro, a doação dos alimentos àquelas em situação de insegurança alimentar.

“Com a segurança alimentar se garante mais saúde para a população, além do combate ao próprio coronavírus. É um conjunto de ações que garante renda ao agricultor familiar por um lado, também com investimentos no campo, e, por outro lado, que essa produção feita na zona rural do Maranhão chegue na mesa de quem mais precisa”.

Apesar dos programas, a realidade latente é de que muitas famílias ainda são desassistidas por políticas públicas em qualquer nível, seja municipal, estadual ou federal. Invisíveis à sociedade, quando vistas, elas ocupam as ruas e os semáforos com pedidos de ajuda.

Nesse contexto, são as ações de solidariedade que se espalham por todos o país que cumprem o papel do estado, oferecendo comida, moradia e assistência básica à saúde.

No Maranhão, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desenvolve ações junto às organizações sociais do estado e foi premiado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), em reconhecimento às iniciativas de combate aos impactos da pandemia.

Entre as iniciativas estão a doação de alimentos e cestas básicas, o fornecimento de Café Solidário às pessoas em situação de rua, além da formação de agentes populares de saúde que atuam dentro dos territórios do campo.

“Ainda não é suficiente, porque qualquer vida importa, qualquer família abalada para nós, precisa de atenção. Entendemos que devemos continuar cobrando do estado melhores políticas públicas, providas pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. Por isso lutamos para o fortalecimento desse sistema tão importante no Brasil inteiro”, conclui o dirigente estadual do movimento, Jonas Borges.

Edição: Vinícius Segalla

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