
A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro tem gerado especulações entre aliados de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de Michelle Bolsonaro, que esperam que o ex-presidente desista de lançar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência em 2026. A aposta desses aliados é que, em casa, a ex-primeira-dama consiga convencer Bolsonaro a mudar de ideia, considerando até mesmo uma candidatura própria ou de Tarcísio.
Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, neste cenário, a ex-primeira-dama e o governador paulista seriam os candidatos preferidos. Bolsonaro poderá contar apenas com o apoio diário de Michelle, da filha Laura, de seus advogados e médicos, conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Flávio, como advogado do pai, também tem permissão para visitá-lo todos os dias. Outros filhos do ex-presidente, contudo, poderão visitá-lo apenas às quartas e sábados, como era o caso durante seu período de detenção no presídio militar da Papudinha, em Brasília.
No entanto, a chance de mudança no cenário eleitoral é considerada remota por lideranças do PL e caciques do Centrão. Eles avaliam que a candidatura de Flávio já está consolidada e que, mesmo em prisão domiciliar, Bolsonaro continuará tendo influência nos rumos da pré-campanha presidencial de seu filho. Esses fatores tornam difícil uma possível troca de candidato.

O cenário político ainda está em aberto para outros possíveis candidatos. Tarcísio, que também é cotado para a presidência, teria que renunciar ao governo de São Paulo até 4 de abril para poder se candidatar, embora o registro oficial da candidatura só aconteça em agosto.
A relação entre Michelle e a candidatura de Flávio também é um ponto de tensão. A ex-primeira-dama nunca demonstrou total apoio à escolha do filho de Bolsonaro para a presidência. Ela chegou a ser mencionada como possível vice na chapa de Tarcísio.
Aliados de Tarcísio também veem sua candidatura com simpatia, especialmente por ele ter se mostrado um líder pragmático no governo paulista. A situação de Bolsonaro e a vontade de Michelle de ter mais influência nas decisões políticas do ex-presidente podem dificultar esse cenário.