
O Sudeste foi o principal motor da virada histórica que garantiu a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25). Dos cerca de 10,3 milhões de votos que o presidente acrescentou à sua votação entre o primeiro e o segundo turnos, aproximadamente 4,8 milhões vieram de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo: 46,7% de todo o crescimento registrado pelo petista no país.
De acordo com uma análise do cientista político Rodrigo Mahlmeister, a recuperação foi decisiva porque a região havia dado a Flávio Bolsonaro (PL) uma vantagem de 5,66 milhões de votos no primeiro turno.
Na rodada final, embora o candidato do PL ainda tenha vencido o Sudeste por 52,76% a 47,24%, essa diferença caiu para 2,81 milhões. Lula terminou com 24,04 milhões de votos na região, enquanto Flávio somou 26,84 milhões.
O caso mais emblemático foi Minas Gerais. Lula saiu de uma derrota de quase 589 mil votos no primeiro turno para uma vantagem de cerca de 107 mil no segundo. O presidente ganhou aproximadamente 1,16 milhão de votos adicionais entre os mineiros, contra avanço de 461 mil de Flávio. Minas foi o único estado onde houve uma inversão de vencedor entre as duas etapas.
São Paulo e Rio de Janeiro também tiveram peso importante. Lula reduziu significativamente a vantagem de Flávio nos dois estados e venceu nas duas maiores capitais do país. Na cidade de São Paulo, chegou a 55,5% dos votos, enquanto no Rio de Janeiro virou o resultado do primeiro turno e alcançou 51,54%.
A virada de Lula sobre o 1º turno vem sobretudo do Sudeste: metade do ganho, puxado por SP (+3,8 p.p.) e RJ (+4,4).
O Nordeste, base de Lula, contribui menos (+1,5 a +2,6): lá quase não houve voto em outros candidatos no 1º turno (~5%), então sobra pouco para transferir.
— Rodrigo Mahlmeister (@ro_mahl) October 25, 2026
O Nordeste continuou como a principal base eleitoral de Lula e lhe deu sua maior vantagem regional, mas oferecia menos espaço para crescimento porque o petista já havia concentrado grande parte dos votos no primeiro turno. Ainda assim, Lula acrescentou cerca de 2,95 milhões de votos na região, contra 4,8 milhões no Sudeste.
O movimento regional permitiu uma façanha inédita desde a redemocratização. Flávio havia vencido o primeiro turno com 47,03% e mais de 2,2 milhões de votos de vantagem. No segundo, Lula terminou reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%, contra 59.826.041 de Flávio, ou 48,21%.
Desde 1989, em todas as eleições presidenciais que chegaram ao segundo turno, quem liderou a primeira votação também acabou eleito. Lula foi o primeiro a romper essa sequência, transformando uma derrota no primeiro turno em vitória três semanas depois.