Como Regina Duarte deixou de ser Malu Mulher para cair nos braços de Jair Bolsonaro. Por Joaquim de Carvalho

Regina Duarte com Fidel e o sociólogo Emir Sade (de blusa cor de vinho)

Na década de 80, quando esteve em Cuba e visitou Fidel Castro, Regina Duarte não era a ativista de direita que deve aceitar suceder o nazista Roberto Alvim na Secretaria de Cultura.

Ela era estrela de Malu Mulher, que passava na TV cubana, e foi levada a Fidel Castro pelo sociólogo Emir Sader, que aparece na foto (à direita, de blusa cor de vinho).

Regina Duarte era abraçada nas ruas por mulheres que se identificavam com a personagem — uma mulher que luta para ocupar seu espaço e não abre mão de defender seus direitos.

O diretor Daniel Filho, com quem ela foi casada, também esteve nessa viagem a Cuba. “Regina e eu fomos juntos para Cuba, e fomos recebidos pelo próprio Fidel Castro”, recordou, em entrevista ao F5, na qual disse não entender por que a ex-mulher foi para a direita.

“Simplesmente não entendo. Compreendo que não tem o porquê de as pessoas serem firmes para sempre, mas não entendo essa mudança dela para a direita, assim dessa forma. Ela era de esquerda mesmo, eu continuo [sendo de esquerda]”.

Em 1989, depois de apoiar Mário Covas no primeiro turno, Regina Duarte votou em Lula no turno decisivo, contra Fernando Collor.

A conversão de Regina Duarte para a direita pode ser considerada obra do PSDB, não o de Covas, mas o de José Serra.

Em 2002, ela foi convencida por amigos tucanos a gravar um vídeo em que dizia ter medo da vitória de Lula. “A partir daí, não teve mais volta”, recorda um amigo.

Regina Duarte, ao que parece, agora vai radicalizar no seu ativismo de direita, ao ir para o governo de Jair Bolsonaro como secretária (ou ministra) da Cultura.

Para quem acha que ela poderá influenciar Bolsonaro no sentido de que ele seja menos extremista, uma lembrança: diziam a mesma coisa de Sergio Moro, e hoje o ex-juiz não é nada mais do que advogado do grupo miliciano que governa o Brasil.

O problema do governo de Jair Bolsonaro nunca foi Alvim. O ex-secretário de Cultura era sintoma, não causa do extremismo do governo a que a ex-Malu Muher deve servir.

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