Como Vorcaro usou financeira nas Bahamas para escoar recursos ao exterior

Atualizado em 23 de outubro de 2026 às 14:57
Fotos de identificação de Daniel Vorcaro no Complexo Penal II de Guarulhos
Daniel Vorcaro em fotos de identificação com camiseta branca e fundo com marcações de altura. Foto: Reprodução

Investigadores do caso Banco Master apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro usou a Mosaic, instituição financeira sediada em Nassau, nas Bahamas, como canal para distribuir recursos no exterior. A apuração atribui à estrutura o envio de dinheiro para fora do país e a distribuição de valores com menor rastreabilidade, além de operações ligadas à compra de imóveis, jatinhos e iates.

Parte dos recursos do Banco Master que passou pela Mosaic seguiu para Delaware, nos Estados Unidos. O estado permite a abertura de empresas sem a divulgação pública da identidade de sócios ou gestores, condição que os investigadores consideram relevante para rastrear os destinatários finais dos repasses.

Os agentes afirmam que o fluxo movimentado pela Mosaic superou o volume remetido ao Havengate, fundo registrado nos EUA e administrado pelo advogado Paulo Calixto. A Polícia Federal investiga Calixto por receber recursos de Vorcaro destinados ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A PF apura se os valores enviados ao Havengate, cedidos por Vorcaro a pedido do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), financiaram de fato o filme ou cobriram despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Os investigadores também verificam se a Mosaic funcionou como ponte para repasses do Master a beneficiários no país.

Nassau, nas Bahamas. Foto: Reprodução

Recursos foram congelados e viraram disputa judicial

Os investigadores já identificaram a participação da Entre, empresa usada por Vorcaro para intermediar pagamentos internacionais, na movimentação de recursos que passaram pela Mosaic. O advogado de Antonio Carlos Freixo, dono da Entre, afirmou que não poderia comentar o caso fora dos autos por causa de termos de um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

Além de remeter dinheiro ao exterior, a instituição nas Bahamas teria recebido de volta parte dos valores, conforme a linha de investigação. A suspeita é que Vorcaro tenha repatriado recursos após a crise do Banco Master para pagar advogados no Brasil e campanhas midiáticas contra o Banco Central e concorrentes.

O liquidante do Banco Master congelou os recursos transferidos por Vorcaro via Mosaic e contratou uma empresa internacional para rastrear bens no exterior. A Mosaic e o liquidante disputam os valores na Justiça: a administração da massa liquidanda defende o uso do dinheiro para ressarcir credores e funcionários, enquanto a empresa das Bahamas sustenta que os recursos devem ficar com a União.

Diálogos revelados pela revista piauí indicaram preocupação de pessoas próximas a Vorcaro com dinheiro enviado para fora do Brasil após a prisão do ex-banqueiro. Em uma conversa, o empresário Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro, disse que ele havia enviado R$ 20 bilhões ao exterior e não conseguia acessar os valores diante da ofensiva das autoridades.

Investigadores também afirmam que Henrique Vorcaro, pai de Daniel, cogitou usar recursos encaminhados à Mosaic para quitar dívidas trabalhistas no Brasil, mas o plano não avançou depois de sua prisão, em maio. Em ação nos Estados Unidos, a EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, relatou compras e tentativas de venda de quatro obras de arte avaliadas em quase US$ 20 milhões, ou R$ 103,9 milhões pela cotação informada.

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