Comparar sua relação com Queiroz à intimidade sexual de um casal não ajuda Bolsonaro a explicar cheque para Michelle

Bolsonaro e Queiroz são íntimos

Jair Bolsonaro ficou descontrolado hoje de manhã com uma pergunta jornalisticamente pertinente:

“O senhor que emprestou dinheiro ao Queiroz? Eu não entendi bem aquele trecho…”, perguntou um repórter.

“Sim”, respondeu Bolsonaro. “Sim”, repetiu. “Não foram 24 mil, foram 40 mil”, repetiu

Outro jornalista questiona, como compete a um repórter que busca informação.

“O senhor tem algum comprovante?”

Bolsonaro suspira e, visivelmente descontrolado, ofende:

“Ô rapaz, pergunta para tua mãe o comprovante de que ela deu para teu pai.”

A claque que acompanha Bolsonaro nessas manifestações matinais — algumas com Bíblia na mão — ovaciona: “Êêêêêê”

Comparar a intimidade sexual de um casal à sua relação financeira com Fabrício Queiroz não ajuda Bolsonaro a esclarecer nada.

Os dois são íntimos, é verdade, amigos de pescaria, fizeram juntos um curso de paraquedista, mas, mesmo assim, haveria comprovante de transferência de dinheiro de Bolsonaro para Queiroz.

O dinheiro sempre deixa rastro. Por que Bolsonaro não respondeu à pergunta como compete a um homem que, teoricamente, sempre viveu de recursos do estado?

O único comprovante tornado público até agora foi o depósito de R$ 24 mil da conta de Queiroz para a de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente — na versão deste, o dinheiro fazia parte do pagamento por aquele empréstimo.

Se há registro formal da entrada de dinheiro na conta de Michelle, deveria existir também o comprovante de que Bolsonaro entregou R$ 40 mil a Fabrício Queiroz.

Afinal, não é comum que as pessoas andem com R$ 40 mil no bolso, e entreguem a um amigo quando precisa.

Bolsonaro poderia ter sacado de um banco e entregue a Queiroz. Nesse caso, haveria o registro do saque.

Ah, mas Bolsonaro diz que foi dinheiro entregue ao longo do tempo, fracionado.

Não faz sentido.

Queiroz tinha muito mais dinheiro em sua conta e o que já foi tornado público da investigação é a saída de dinheiro da conta de Queiroz, através de saques em espécie, e a entrada de recursos na conta de Flávio Bolsonaro, também em espécie

Nunca o caminho inverso.

Se havia uma relação informal entre a família Bolsonaro e Queiroz, bastava ele depositar menos na conta de Flávio. Ficaria com uma parte a título de empréstimo.

Mas não foi o que aconteceu. Bolsonaro diz que deu R$ 40 mil a Queiroz e ele devolveu. O cheque teria sido parte desse reembolso.

Nitidamente, Bolsonaro está com medo da verdade, daí o descontrole. Não só ele. Flávio também.

Não fosse assim, Flávio não entraria no Supremo Tribunal Federal com o objetivo de trancar a ação, ou seja, mandar para o arquivo.

Na véspera do recesso do Judiciário, o pedido está com Gilmar Mendes. Se Gilmar negar o pedido, Bolsonaro vai tentar ganhar no grito?

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