Compliance Zero: advogado do Master também é preso pela PF

Atualizado em 16 de abril de 2026 às 8:48
Daniel Monteiro, advogado do Banco Master. Foto: reprodução

A nova fase da Operação Compliance Zero levou à prisão, nesta quinta-feira (16), do advogado Daniel Monteiro, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores centrais do esquema investigado no caso Banco Master. Considerado próximo de Daniel Vorcaro, dono da instituição, Monteiro é descrito pelos investigadores como administrador de vários fundos usados em operações financeiras destinadas a dificultar a rastreabilidade de dinheiro de origem ilícita.

A prisão ocorreu em São Paulo e integra a mesma ofensiva que também levou para a cadeia, em Brasília, o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso na Corte, e apura o esquema de lavagem de dinheiro voltado ao pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.

No centro da investigação está a suspeita de que Paulo Henrique Costa tenha ignorado práticas de governança e permitido negócios sem lastro entre o BRB e o Banco Master.

Segundo os investigadores, o ex-dirigente do banco público teria recebido ao menos seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro em troca de facilitar o esquema envolvendo a instituição financeira. Dois desses empreendimentos ficam em Brasília. Ao todo, a Polícia Federal cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, em endereços ligados aos alvos da operação e ao próprio Master.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Foto: reprodução

Paulo Henrique Costa presidiu o BRB a partir de 2019, após ser indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Durante sua gestão, conduziu a tentativa de compra do Banco Master pelo banco público, operação que acabou barrada pelo Banco Central.

O negócio foi apresentado como uma alternativa para evitar a quebra da instituição de Daniel Vorcaro, mas o BC concluiu que não havia viabilidade econômico-financeira e que a negociação poderia transferir riscos excessivos ao BRB.

Além da tentativa de aquisição, a Polícia Federal também apura se o BRB comprou carteiras de crédito problemáticas do Master. O objetivo é entender se houve falhas internas nos processos de análise, aprovação e governança das operações. Costa é investigado justamente por sua atuação nesse período, tanto nas tratativas quanto na aprovação de movimentações financeiras agora consideradas suspeitas.

Segundo os autos, o ex-presidente do BRB defendia a compra do Master como saída para a crise da instituição privada. Depois do avanço das investigações, porém, foi afastado do comando do banco.

Em depoimento ao Supremo, afirmou que parte dos valores pagos ao Master não teria sido recuperada após a liquidação do banco. Agora, a PF tenta esclarecer se esse montante representa prejuízo efetivo aos cofres públicos e se houve responsabilidade criminal ou administrativa no caso.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.