
A ex-deputada Carla Zambelli, atualmente presa na Itália, já tem motivos de sobra para permanecer atrás das grades.
Condenada a 10 anos de prisão por invadir o sistema eletrônico do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ela fugiu para a Itália, país onde tem cidadania, e foi presa em Roma no mês passado, após dois meses foragida.
Recentemente, a Justiça italiana negou seu pedido de liberdade provisória, alegando “alto risco de fuga”.
Difícil discordar: além de foragida, Zambelli tenta burlar outros processos, como no caso de Tom Zé e José Miguel Wisnik — ambos obrigados a acionar a Justiça depois que a ex-deputada usou, sem autorização, uma música deles em um de seus odiosos vídeos bolsonaristas.
Imagino Tom Zé, a essa altura de sua carreira, tendo que entrar na Justiça contra o bolsonarismo. Sim, são anos difíceis.

Agora, a treta envolve o X, antigo Twitter.
Os advogados da plataforma pediram à Justiça do Distrito Federal que Zambelli pague R$ 10.133,67 em até 15 dias. O processo é de 2024, quando ela teve a pachorra de acionar a empresa (na época, ainda Twitter) porque recebia mensagens “desabonadoras” de críticos de Bolsonaro — como se fosse necessário que alguém a desabonasse, tarefa que ela mesma cumpre com eficiência em cada aparição pública.
Engraçado: os precursores do discurso de ódio nas redes sociais agora se dizem vítimas dele. Parece piada, mas não tem a menor graça.
Zambelli foi condenada não só por faltar às audiências — justificável, já que está presa — mas também por apresentar recursos protelatórios, apresentados apenas para atrasar o processo.
O fato é que ela se acostumou ao gosto doce da impunidade.
Acreditou estar acima da lei e acabou dividindo cela, na Itália, com traficantes. Para quem invade o sistema do CNJ, uma multa por má-fé é fichinha.
Quem foge da Justiça com passaporte europeu na mão não está pagando promessa em Roma; está debochando do próprio país.
E alguém que tantas vezes tenta burlar o Judiciário não o afronta apenas: insulta-o.
Que permaneça, então, onde está. E que seja condenada em cada um dos processos nos quais é ré. Porque até na dolce vita a lei chega. Uma hora, Zambelli, ela chega.